Natal convive há décadas com um problema que atrapalha a eficiência da gestão: onde funciona a Prefeitura. Órgãos espalhados por diversos prédios e puxadinhos pela cidade, muitos deles alugados ou adaptados para atividades administrativas. Essa dispersão gera custos, dificulta a integração entre as equipes e torna a gestão menos eficiente.
Para enfrentar esse problema histórico, o prefeito Paulinho Freire deu a um time de secretários a missão de estudar a viabilidade e a vantajosidade da criação de um Centro Administrativo Municipal (Portaria 007/2026). A proposta é reunir secretarias e órgãos em um único complexo planejado, moderno e mais eficiente.

A primeira reunião do grupo ocorreu semana passada, na Secretaria de Planejamento. Estão sendo analisados diferentes caminhos para viabilizar financeiramente o projeto. Uma possibilidade é utilizar ativos imobiliários que o município possui — como terrenos — para financiar a construção do novo centro administrativo. Outra alternativa é a adoção de um modelo conhecido como BTS (Build to Suit).
Em linguagem simples, BTS significa “construir para alugar”. Nesse modelo, a Prefeitura define previamente todas as características do prédio — tamanho, layout, padrões tecnológicos, acessibilidade e eficiência energética. Um investidor privado, vencedor do leilão, constrói o imóvel conforme essas especificações e, após a entrega, o município passa a utilizá-lo mediante contrato de locação de longo prazo. Essa modalidade está prevista na Lei de Locações (8.245/1991).
O estudo em andamento é preliminar e avalia se esse modelo pode trazer vantagens econômicas e operacionais para Natal ao substituir a atual pulverização de contratos de aluguel por um único complexo administrativo, com custos mais previsíveis e gestão mais eficiente.
Também tem os ganhos de escala. Com todas as secretarias reunidas em um mesmo campus administrativo, serviços como segurança, manutenção, tecnologia, auditórios e atendimento ao cidadão podem ser compartilhados, reduzindo custos e melhorando o funcionamento da máquina pública?
Outra análise é a redução do tempo gasto em deslocamentos entre prédios, o que tende a tornar atividades mais ágeis.
Por fim, o impacto urbano. Sendo o centro administrativo implantado na Ribeira, poderia levar milhares de servidores e cidadãos ao bairro, diariamente, estimulando comércio, serviços e contribuindo para a revitalização e preservação do centro histórico?
Nenhuma decisão foi tomada ainda. O papel do grupo é produzir levantamentos para avaliar custos, riscos e benefícios. Mas a iniciativa abre uma oportunidade concreta: modernizar a administração pública e, ao mesmo tempo, ajudar a devolver vitalidade a uma área histórica e estratégica da cidade.
Vagner Araujo (@fvagner) é secretário do Planejamento de Natal