O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) iniciou a renovação da composição do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte para o ciclo que atravessará as eleições de 2026. Na sessão administrativa desta quarta-feira, o Pleno escolheu, por unanimidade, a juíza Sulamita Bezerra Pacheco para ocupar uma vaga de membro titular do TRE-RN na classe dos juízes de Direito, no biênio 2026-2028.
Sulamita entra na vaga da juíza Suely Maria Fernandes Silveira, cujo biênio termina em 3 de junho. Durante a sessão, também foi esclarecido que a juíza Francimar Dias Araújo da Silva, atual substituta, permanece no respectivo biênio até o encerramento do período para o qual foi escolhida.

A composição atual da Corte Eleitoral potiguar tem como presidente a desembargadora Maria de Lourdes Medeiros de Azevedo e como vice-presidente e corregedor regional eleitoral o desembargador Ricardo Procópio Bandeira de Melo. Os dois exercem mandato no TRE-RN no biênio 2024-2026, com término previsto para 30 de agosto. Também integram a Corte o juiz federal Hallison Rêgo Bezerra, o juiz de Direito Eduardo Bezerra de Medeiros Pinheiro, a juíza Suely Maria Fernandes da Silveira e os juristas Marcello Rocha Lopes e Daniel Cabral Mariz Maia.
Além da escolha de Sulamita, o TJRN marcou para 3 de junho a definição dos desembargadores que irão compor o próximo biênio do TRE-RN. Essa nova etapa deve indicar os nomes que sucederão Lourdes Azevedo e Ricardo Procópio nas vagas destinadas a desembargadores. A eleição para presidente e vice-presidente, porém, não ocorre no Tribunal de Justiça, mas internamente no próprio TRE-RN, entre os desembargadores escolhidos.
O TRE-RN é formado por sete membros: dois desembargadores, dois juízes de Direito, um juiz federal e dois juristas. Cabe ao TJRN escolher os desembargadores e juízes estaduais que integram a Corte. A renovação ganha peso porque a próxima composição terá atuação direta no processo eleitoral de 2026, incluindo registro de candidaturas, propaganda eleitoral, pesquisas, prestação de contas, julgamento de ações e enfrentamento à desinformação.
Voto fácil
A votação da PEC que acaba com a escala 6×1 mostrou, mais uma vez, como a classe política costuma se mover diante de uma pauta com forte apelo popular. Ninguém quer aparecer contra o “descanso do trabalhador”, especialmente em ano eleitoral. No Rio Grande do Norte, todos os oito deputados federais votaram a favor da proposta. Nenhum quis bancar o desgaste de contrariar o eleitorado, ainda que entidades do setor produtivo alertem para riscos de aumento de custos, demissões, informalidade e alta de preços.
O cálculo político foi simples: melhor colher o aplauso imediato e deixar a fatura para depois. Se pequenos negócios forem pressionados, se bares, restaurantes, comércio e serviços tiverem de cortar vagas ou repassar custos ao consumidor, a conta cairá justamente sobre quem hoje é apresentado como beneficiário da medida.
Agora, a proposta segue para o Senado, onde se espera mais cautela, mais debate técnico e um pouco mais de bom senso. O problema é que essa expectativa esbarra no mesmo obstáculo: o caráter eleitoral da pauta. Poucos senadores terão disposição para enfrentar uma proposta vendida como conquista social, mesmo que seus efeitos concretos possam ser bem menos generosos do que o discurso promete.
O Senado ainda pode corrigir prazos, modular impactos, ouvir setores produtivos e evitar que uma boa intenção vire problema econômico. Mas isso exigirá coragem política. E coragem, quando o voto está em jogo, costuma ser artigo raro em Brasília.
Corrida em movimento
Os principais pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte intensificaram as agendas no interior e deram novas demonstrações de que a pré-campanha já entrou em ritmo de disputa territorial. Álvaro Dias (PL), ex-prefeito de Natal, concentrou movimentações no Oeste, Alto Oeste e Trairi. Recebeu apoios das ex-prefeitas Mazé Gurgel e Olga Fernandes, além do prefeito Rafael Matias e do vice-prefeito Vanderlei, durante agenda na Feira do Homem do Campo.
Allyson Bezerra (União), ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo, também esteve em Caicó, onde saudou o prefeito Dr. Tadeu pelo aniversário. A agenda reforça a tentativa do ex-gestor mossoroense de ampliar presença no Seridó, ao mesmo tempo em que sua equipe destaca incursões recentes na região do Trairi, área que passou a receber atenção mais constante da pré-campanha.
No campo governista, Cadu Xavier (PT), que passou a se apresentar como “Cadu de Lula”, foi recebido em João Câmara pela prefeita Aize Bezerra, por oito vereadores e pelo ex-prefeito Ribamar Leite. A agenda ocorreu ao lado da pré-candidata ao Senado Samanda Alves, indicando esforço para consolidar a chapa petista no Mato Grande.
As movimentações mostram três estratégias distintas: Álvaro busca capilaridade entre lideranças municipais, Allyson tenta nacionalizar sua projeção fora de Mossoró e Cadu aposta na vinculação direta com Luiz Inácio Lula da Silva e na força da estrutura governista. A eleição ainda está distante, mas a disputa por palanques já começou.