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Vagner Araujo

Revitalização da Ribeira: muito além das fachadas

Confira o artigo de Vagner Araujo desta terça-feira 27
Vagner Araujo
27/05/2025 | 07:04

A revitalização de centros históricos precisa ir muito além do restauro arquitetônico e da pintura de fachadas. Quando observamos os casos bem-sucedidos como o Porto Maravilha no Rio de Janeiro, o Puerto Madero em Buenos Aires ou, mais próximo, o Recife Antigo, percebemos que é fundamental a criação de um ecossistema economicamente sustentável, onde o patrimônio histórico-cultural é valorizado como atrativo principal, mas não como único elemento.

Para que bairros como a Ribeira, a Praia do Meio, o Alecrim e o Centro de Natal possam ressurgir como áreas dinâmicas e valorizadas, é necessário um planejamento que integre preservação e inovação. Estas áreas possuem localizações privilegiadas, histórias ricas e um potencial imenso que permaneceu adormecido sob camadas de abandono e subutilização.

Revitalização da Ribeira Pintura (22)
A revitalização de centros históricos precisa ir muito além do restauro arquitetônico e da pintura de fachadas. Foto: José Aldenir/Agora RN

A experiência que deu certo em outras cidades nos mostra que é preciso criar um ambiente onde pessoas queiram trabalhar, circular e, principalmente, morar. Isso exige a presença diversificada de empreendimentos imobiliários, comerciais e de serviços, incluindo empresas de tecnologia que atraem um público jovem e dinâmico. Um centro histórico sem vida noturna, sem moradores permanentes e sem atividade econômica constante está fadado a permanecer como um museu a céu aberto, visitado apenas ocasionalmente.

Para isso, é necessário utilizar adequadamente os instrumentos urbanísticos disponíveis. O Estatuto da Cidade oferece ferramentas poderosas como as Operações Urbanas Consorciadas, que permitem flexibilizar parâmetros urbanísticos em troca de contrapartidas. O novo Plano Diretor prevê zonas especiais de interesse histórico-cultural com incentivos específicos. A Lei de Parcerias Público-Privadas possibilita a estruturação de projetos onde o setor privado aporta recursos e expertise em troca de retornos de longo prazo.

Mas nada disso funciona sem uma boa dose de sensatez por parte das instituições. É preciso equilibrar a preservação histórica com a viabilidade econômica, criando regras claras que protejam e valorizem o patrimônio sem inviabilizar novos usos. É necessário também garantir a participação da comunidade local, evitando processos de gentrificação.

Natal tem todos os ingredientes para transformar seus bairros históricos em áreas vibrantes e valorizadas. A Ribeira com seu sítio histórico e patrimônio arquitetônico; a Praia do Meio, com sua orla privilegiada; o Centro e o Alecrim, com sua vocação comercial.

O prefeito Paulinho Freire tem demonstrado visão integrada e coragem para enfrentar obstáculos, construir consensos e implementar um projeto de longo prazo, que transcenda gestões e crie as bases para um desenvolvimento urbano sustentável.

A cidade que sabe olhar para seu passado como alicerce do futuro, e não como âncora, encontra o caminho para revitalizar seus centros históricos de forma duradoura e inclusiva.