A indústria de transformação brasileira avalia que perderá ainda mais espaço no mercado interno para produtos importados, principalmente da China, ao longo de 2026. O alerta foi feito pela Coalizão Indústria, grupo que reúne entidades de diversos segmentos industriais do país e que projeta um déficit recorde de US$ 146,4 bilhões na balança comercial de manufaturados no próximo ano.
Segundo a entidade, o avanço das importações ocorre em meio a um cenário de baixa competitividade da indústria nacional, agravado por juros elevados, custos estruturais da economia brasileira e o aumento da entrada de produtos estrangeiros em condições consideradas desiguais.

O grupo também relaciona a situação à derrubada do imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, conhecido popularmente como “taxa das blusinhas”. A medida, segundo representantes da indústria e do varejo, ampliou a pressão sobre empresas nacionais, especialmente no comércio eletrônico.
A Coalizão Indústria reúne representantes de setores como aço, automotivo, alimentos, brinquedos, calçados, construção civil, máquinas, têxtil, plástico, farmacêutico e eletroeletrônico. Juntos, os segmentos representam cerca de 44,8% do PIB industrial brasileiro.
Durante coletiva realizada em São Paulo, as entidades afirmaram que o problema não está na importação em si, mas na concorrência com produtos subsidiados ou produzidos com custos menores em outros países.
O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, afirmou que a indústria nacional busca condições iguais de competitividade. Já Marco Polo de Mello Lopes, coordenador da Coalizão Indústria e presidente executivo do Instituto Aço Brasil, declarou que um terço do mercado brasileiro de aço foi ocupado por importações em 2025.
As projeções da coalizão indicam crescimento industrial abaixo de 2% em 2026, enquanto as importações devem avançar cerca de 6%. Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, o mercado interno brasileiro está sendo ocupado por produtos estrangeiros em ritmo superior ao crescimento da produção nacional.
As entidades defendem o fortalecimento de mecanismos de defesa comercial, como medidas antidumping e salvaguardas, além da redução dos juros e de ações para diminuir o chamado “custo Brasil”, relacionado a entraves tributários, burocráticos e logísticos.
Apesar do cenário considerado preocupante, a Coalizão Indústria informou que os setores representados mantêm previsão de investimentos de aproximadamente R$ 1,1 trilhão entre 2026 e 2030.