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Vagner Araujo

Quando o apito final devolve o Brasil à realidade

Confira o artigo de Vagner Araujo desta terça-feira 7
Vagner Araujo
07/07/2026 | 05:05

Durante algumas semanas, o Brasil viveu novamente aquele velho ritual que só a Copa do Mundo é capaz de proporcionar. Conversas mudaram de assunto, agendas reorganizadas, ruas ganharam bandeiras e, por alguns instantes, as preocupações do cotidiano deram lugar ao sonho do hexacampeonato.

Mas o futebol tem dessas ironias. A derrota por 2 a 1 para a Noruega encerrou a caminhada brasileira em uma partida que insistiu em desafiar a lógica. Houve bolas na trave, oportunidades desperdiçadas e lances que, em outro dia, certamente terminariam em gol. O retrato mais marcante foi o de Endrick que, com apenas 40 segundos em campo, ficou cara a cara com o goleiro e chutou para fora. Um lance que poderia ter mudado completamente a história do jogo.

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Quando o apito final devolve o Brasil à realidade - Foto: José Aldenir

O futebol, porém, não recompensa quem chega perto. Recompensa quem faz o gol.

Com o apito final, acabou também a breve pausa emocional que a Copa costuma proporcionar. O país acorda, mais uma vez, com aquele sentimento conhecido de frustração, de “poderia ter sido diferente”. Não foi uma derrota por falta de luta, mas isso pouco consola uma torcida acostumada a enxergar na Seleção uma das maiores fontes coletivas de alegria e identidade nacional.

Agora, a rotina volta a ocupar o espaço que o futebol havia tomado.

No Rio Grande do Norte, essa mudança de foco será percebida imediatamente. As campanhas eleitorais, que vinham em ritmo intenso antes do Mundial e naturalmente perderam espaço para os jogos da Seleção, voltam ao centro das atenções. A bola deixa os gramados e passa novamente para os palanques, os debates, as redes sociais e as ruas das cidades potiguares.

Os próximos dias prometem uma aceleração do calendário político. Candidatos retomarão agendas, entrevistas, caminhadas e encontros com eleitores. A disputa eleitoral volta a ocupar as conversas nas praças, nos locais de trabalho e, claro, nas redes sociais.

Curiosamente, futebol e política compartilham algo em comum: ambos despertam paixões, alimentam expectativas e mobilizam milhões de pessoas. Também ensinam que favoritismo não garante vitória e que oportunidades desperdiçadas costumam cobrar um preço alto.

A Copa termina, mas a vida segue. O sonho do hexacampeonato fica adiado mais uma vez. Já as escolhas que os eleitores farão nas urnas continuam em aberto e terão impacto muito além dos noventa minutos de uma partida. Afinal, se no futebol sempre existe uma próxima Copa, nas cidades e nos estados, o futuro começa no dia seguinte ao apito final.