Com a realização das convenções partidárias, encerra-se uma das etapas mais importantes do calendário eleitoral e inicia-se oficialmente o período em que candidatos a cargos majoritários e proporcionais devem apresentar à sociedade suas ideias, prioridades e compromissos. É justamente agora que a democracia espera mais do que discursos de ocasião: espera projetos, propostas e uma visão clara sobre o futuro dos estados e do país.
No entanto, é preocupante constatar que, até este momento, pouco ou quase nada foi efetivamente apresentado pelos pré-candidatos sobre os rumos que pretendem dar à administração pública ou sobre a agenda legislativa que defenderão. Questões essenciais, como desenvolvimento econômico, geração de empregos, saúde, educação, segurança, infraestrutura, sustentabilidade, inovação e equilíbrio das contas públicas, permanecem em segundo plano, enquanto o debate político tem sido ocupado por temas periféricos.

Em vez de uma discussão qualificada sobre programas de governo e soluções para os desafios da população, grande parte da atenção foi direcionada para a composição de nominatas, alianças, estratégias eleitorais e, sobretudo, para a troca de acusações e tentativas de desqualificação entre adversários. A pergunta “quem fez o quê” acabou substituindo a pergunta que realmente interessa ao eleitor: “o que pretende fazer daqui para frente?”.
A campanha eleitoral deveria servir para que a sociedade compare diagnósticos, conheça prioridades e avalie a consistência de propostas. É o momento em que o eleitor deveria ter acesso a informações suficientes para formar sua convicção com base em ideias e não apenas em narrativas.
Ainda há tempo para que isso aconteça. A primeira fase da campanha costuma ser o período mais adequado para o debate programático, para entrevistas aprofundadas, apresentação de planos de governo e confronto respeitoso de propostas. É nessa etapa que candidatos podem demonstrar preparo, capacidade de gestão e conhecimento sobre os problemas que pretendem enfrentar.
Depois, a dinâmica das campanhas tende a mudar. À medida que a disputa avança, cresce o peso das emoções, das pesquisas eleitorais, das estratégias de mobilização e dos slogans. O espaço para discutir políticas públicas diminui, enquanto aumentam as torcidas organizadas, os confrontos de narrativas e os chavões que marcam a reta final das eleições.
Por isso, este é o momento de elevar o nível do debate. A democracia se fortalece quando a disputa eleitoral é travada em torno de ideias, projetos e soluções concretas. Afinal, mais importante do que saber quem vencerá a eleição é compreender qual futuro cada candidato pretende construir para a sociedade.