Muito além de uma obra de urbanização, Natal está prestes a ganhar um novo símbolo de cidade. O anúncio feito pelo prefeito Paulinho Freire, na última sexta-feira, sobre o avanço do projeto do parque linear da Avenida Engenheiro Roberto Freire representa mais do que a criação de uma nova área verde: revela uma mudança na forma de pensar os espaços públicos e a relação das pessoas com a cidade.
Depois de diálogo com gestores do Parque das Dunas, o projeto foi redimensionado e recebeu uma nova concepção arquitetônica. O resultado tem sido elogiado por buscar equilíbrio entre preservação ambiental e uso público qualificado. A área deverá ocupar parte do terreno cedido pelo Exército à Prefeitura.

A autoria é do arquiteto natalense Felipe Bezerra, um dos profissionais reconhecidos da nova geração da arquitetura brasileira. O apoio da FIERN, por meio do SESI, viabiliza o projeto e a manutenção de equipamentos culturais previstos, como um museu para arte popular e um borboletário para educação ambiental.
O aspecto mais interessante, porém, está no conceito. Em vez de simplesmente instalar equipamentos de lazer em uma área livre, a proposta procura transformar toda a experiência do visitante. Os caminhos foram pensados para estimular caminhadas, contemplação, descobertas e convivência. A arquitetura dialoga com a vegetação, a luz natural, o vento e o relevo, fazendo com que cada percurso ofereça uma percepção diferente da paisagem.
Não se trata apenas de plantar árvores ou construir ciclovias. O parque reúne, numa mesma concepção, poesia estética, preservação ambiental, funcionalidade urbana sustentável, esporte, lazer, cultura, conhecimento e valorização da biodiversidade. A natureza deixa de ser cenário para se tornar protagonista do projeto.
Também chama atenção a preocupação educativa. A proposta incorpora espaços capazes de aproximar crianças, jovens e adultos do patrimônio ambiental e cultural potiguar. Aprender passa a ser parte do passeio, seja observando espécies nativas, conhecendo artistas locais ou compreendendo os processos naturais que moldam o ecossistema das dunas.
Ao mesmo tempo, um parque dessa dimensão tende a gerar impactos positivos sobre o turismo, a economia criativa, os serviços e a valorização do entorno, consolidando um novo eixo de convivência urbana.
As grandes cidades do mundo são lembradas pelos espaços públicos que criam identidade, pertencimento e qualidade de vida. Natal possui praias incomparáveis e natureza privilegiada. Agora surge a oportunidade de conectar esses atributos a um projeto contemporâneo, capaz de unir cidade e natureza em uma mesma experiência. Veja: bit.ly/parquelinearnatal
Vagner Araujo (@fvagner) é secretário do Planejamento de Natal