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Vagner Araújo

Vagner Araújo cobra estudos e planejamento antes de promessa de terceira ponte sobre o Potengi

Secretário do Planejamento de Natal defende discussão sobre localização, custos e integração da obra ao sistema viário metropolitano
Vagner Araújo
14/10/2026 | 02:44

A terceira ponte sobre o Rio Potengi entrou definitivamente na campanha para o Governo do Estado. E a ideia é, evidentemente, bem-vinda. Natal é uma cidade dividida pelo rio e suas duas principais ligações entre as regiões são insuficientes.

Quanto mais pontes, melhor. Mas uma pergunta precisa acompanhar cada promessa: onde será essa ponte?

Embarcações navegam pelo Rio Potengi em trecho cercado por manguezais, em Natal
Rio Potengi e área de manguezal em Natal (imagem de arquivo) — Foto: José Aldenir

E outras vêm logo depois: quanto custará? De onde virão os recursos? Existe estudo de viabilidade? Há projeto? E, principalmente, quais obras viárias serão feitas para distribuir o tráfego recebido?

Não se trata de detalhe técnico. Trata-se da diferença entre uma obra estruturante e um belo monumento congestionado.

A Ponte Newton Navarro é uma demonstração disso. Tenho particular orgulho daquela obra, realizada no governo Wilma de Faria, de cuja viabilização financeira participei como secretário estadual de Planejamento e Finanças. Foi uma conquista histórica para Natal. Mas, quase duas décadas depois, ainda não alcançamos todo o potencial que aquela ligação poderia proporcionar porque partes importantes do sistema viário necessário para distribuir seus fluxos permaneceram incompletas.

Pontes não terminam quando chegam à outra margem.

O prefeito Paulinho Freire, por exemplo, colocou entre suas prioridades a Via Norte (via Mangue), concebida para interligar os sistemas de acesso às duas pontes existentes e melhorar a circulação na Zona Norte. O projeto está inserido no planejamento municipal e integra justamente essa lógica: não basta atravessar o Potengi; é preciso fazer o trânsito continuar fluindo depois dele.

Importante lembrar, também, que já existe uma nova ligação metropolitana em implantação, a chamada Ponte dos Santos Mártires, com 460 metros em pista dupla, conectando Natal a São Gonçalo do Amarante nas proximidades do km 6 da BR-226, no bairro Guarapes – que liga a Avenida Capitão-Mor Gouveia. Ela atravessa o Rio Jundiaí e alcança Uruaçu onde já há via asfaltada. Há convênio de repasse firmado com a União e contrato de execução já em andamento.

Quando concluída e integrada ao sistema viário metropolitano, essa ligação poderá criar uma alternativa extremamente relevante entre Natal, São Gonçalo e o Aeroporto Internacional.

Portanto, discutir uma terceira ponte sobre o Potengi é necessário. Prometê-la também é legítimo. Os dois candidatos a governador em disputa neste segundo turno têm feito isso. Mas eleição não pode transformar infraestrutura em desenho sobre o mapa.

Antes de perguntar quem vai fazer a terceira ponte, deveríamos começar perguntando: onde ela será, quanto custará, quem pagará e para onde irão os carros depois que atravessarem?

Vagner Araujo (@fvagner) é secretário do Planejamento de Natal