A terceira ponte sobre o Rio Potengi entrou definitivamente na campanha para o Governo do Estado. E a ideia é, evidentemente, bem-vinda. Natal é uma cidade dividida pelo rio e suas duas principais ligações entre as regiões são insuficientes.
Quanto mais pontes, melhor. Mas uma pergunta precisa acompanhar cada promessa: onde será essa ponte?

E outras vêm logo depois: quanto custará? De onde virão os recursos? Existe estudo de viabilidade? Há projeto? E, principalmente, quais obras viárias serão feitas para distribuir o tráfego recebido?
Não se trata de detalhe técnico. Trata-se da diferença entre uma obra estruturante e um belo monumento congestionado.
A Ponte Newton Navarro é uma demonstração disso. Tenho particular orgulho daquela obra, realizada no governo Wilma de Faria, de cuja viabilização financeira participei como secretário estadual de Planejamento e Finanças. Foi uma conquista histórica para Natal. Mas, quase duas décadas depois, ainda não alcançamos todo o potencial que aquela ligação poderia proporcionar porque partes importantes do sistema viário necessário para distribuir seus fluxos permaneceram incompletas.
Pontes não terminam quando chegam à outra margem.
O prefeito Paulinho Freire, por exemplo, colocou entre suas prioridades a Via Norte (via Mangue), concebida para interligar os sistemas de acesso às duas pontes existentes e melhorar a circulação na Zona Norte. O projeto está inserido no planejamento municipal e integra justamente essa lógica: não basta atravessar o Potengi; é preciso fazer o trânsito continuar fluindo depois dele.
Importante lembrar, também, que já existe uma nova ligação metropolitana em implantação, a chamada Ponte dos Santos Mártires, com 460 metros em pista dupla, conectando Natal a São Gonçalo do Amarante nas proximidades do km 6 da BR-226, no bairro Guarapes – que liga a Avenida Capitão-Mor Gouveia. Ela atravessa o Rio Jundiaí e alcança Uruaçu onde já há via asfaltada. Há convênio de repasse firmado com a União e contrato de execução já em andamento.
Quando concluída e integrada ao sistema viário metropolitano, essa ligação poderá criar uma alternativa extremamente relevante entre Natal, São Gonçalo e o Aeroporto Internacional.
Portanto, discutir uma terceira ponte sobre o Potengi é necessário. Prometê-la também é legítimo. Os dois candidatos a governador em disputa neste segundo turno têm feito isso. Mas eleição não pode transformar infraestrutura em desenho sobre o mapa.
Antes de perguntar quem vai fazer a terceira ponte, deveríamos começar perguntando: onde ela será, quanto custará, quem pagará e para onde irão os carros depois que atravessarem?
Vagner Araujo (@fvagner) é secretário do Planejamento de Natal