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Vagner Araujo

O Rio Grande do Norte precisa aprender a planejar o longo prazo

Confira o artigo de Vagner Araujo desta terça-feira 30
Vagner Araujo
30/06/2026 | 05:45

O Rio Grande do Norte possui um enorme potencial econômico, ambiental e humano. É líder na produção de energia eólica, reúne belezas naturais reconhecidas internacionalmente, tem posição geográfica privilegiada e uma população empreendedora. Ainda assim, o Estado parece caminhar sempre um passo atrás de suas próprias oportunidades. A explicação pode estar menos na falta de recursos e mais na ausência de uma cultura de planejamento de longo prazo.

No Brasil, ainda prevalece uma lógica de gestão voltada para as próximas eleições. Projetos que levam dez ou quinze anos para amadurecer perdem espaço para ações que produzem resultados imediatos e visibilidade política. O problema é que desenvolvimento sustentável não acontece em quatro anos. Ele exige continuidade, estabilidade e capacidade de manter prioridades independentemente de quem ocupa o governo.

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O Rio Grande do Norte precisa aprender a planejar o longo prazo - Foto: José Aldenir

Basta observar exemplos de sucesso ao redor do mundo. Estados que hoje são referências em inovação, mobilidade, educação ou qualidade de vida começaram seus projetos décadas atrás. Mudaram governos, partidos e gestores, mas permaneceram fiéis a uma visão compartilhada de futuro. O planejamento deixou de ser um plano de governo para se tornar um projeto de sociedade.

No Rio Grande do Norte há anos discutimos os mesmos problemas: infraestrutura insuficiente, baixa competitividade, dificuldades para atrair investimentos e desigualdades regionais. Muitas soluções são conhecidas há anos. O que falta é transformá-las em ações permanentes, com metas, indicadores e mecanismos de monitoramento que sobrevivam às mudanças de gestão.

Planejar também significa antecipar tendências. A transição energética, a transformação digital, as mudanças climáticas e o envelhecimento da população já estão redesenhando a economia mundial. Estados que compreenderem essas mudanças sairão na frente. Os que permanecerem presos à agenda do presente correrão o risco de perder o bonde da história.

Isso exige uma nova forma de governar. Mais integração entre órgãos públicos, universidades, setor produtivo e sociedade civil. Mais decisões baseadas em evidências. Mais transparência e avaliação de resultados. Sobretudo, exige coragem para iniciar projetos cujos maiores benefícios só sejam colhidos pela próxima geração, e não na próxima eleição.

O desenvolvimento de um estado não depende apenas de boas ideias, mas da capacidade de transformá-las em ações duradouras. O Rio Grande do Norte reúne todas as condições para construir um futuro melhor. Para isso, precisa substituir a cultura do improviso pela cultura do planejamento. Afinal, governar bem não é apenas resolver os problemas de hoje; é preparar o caminho para o amanhã.

Vagner Araujo (@fvagner) é secretário do Planejamento de Natal