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Vagner Araújo

O Rio Grande do Norte está preparado para a economia do mar?

Confira o artigo de Vagner Araújo desta terça-feira 14
Vagner Araújo
14/07/2026 | 07:43

O Rio Grande do Norte sempre teve o mar como parte de sua identidade. São mais de 400 quilômetros de litoral, portos, pesca, turismo, salinas, energia eólica offshore em perspectiva e uma localização privilegiada na esquina do continente sul-americano. No entanto, permanece uma pergunta que merece ser feita: estamos realmente preparados para transformar esse patrimônio natural em uma estratégia consistente de desenvolvimento?

A chamada economia do mar deixou de ser apenas um conceito acadêmico. Em diversos países, ela reúne atividades como logística portuária, transporte marítimo, turismo náutico, pesca sustentável, aquicultura, construção naval, biotecnologia marinha, energias renováveis, pesquisa científica e inovação tecnológica. Trata-se de um setor que movimenta trilhões de dólares anualmente e que vem ganhando espaço nas agendas de desenvolvimento de governos e organismos internacionais.

Seis trechos do litoral do RN estão impróprios para banho - Foto: CaeRio Grande do Norte/Reprodução.
Estamos preparados para transformar esse patrimônio natural em uma estratégia consistente de desenvolvimento? - Foto: Caern/Reprodução.

O Rio Grande do Norte reúne condições excepcionais para participar desse movimento. O Porto de Natal, o Porto-Ilha de Areia Branca, a futura expansão das operações marítimas ligadas ao petróleo e à energia eólica offshore, além do potencial para esportes náuticos e turismo de experiência, colocam o estado em posição privilegiada. Soma-se a isso uma extensa faixa costeira, ventos constantes e proximidade com mercados internacionais.

Mas potencial, por si só, não produz riqueza. É preciso planejamento, infraestrutura, qualificação profissional, segurança jurídica e integração entre governo, universidades e setor produtivo. O desenvolvimento da economia do mar depende de investimentos em portos modernos, logística eficiente, inovação, preservação ambiental e formação de mão de obra especializada. Nenhum desses fatores acontece espontaneamente.

Também é necessário superar uma visão fragmentada. Turismo, pesca, indústria, meio ambiente e ciência ainda caminham, muitas vezes, em direções distintas. A economia do mar exige governança integrada e políticas públicas capazes de conectar esses setores em torno de objetivos comuns.

O aumento de investimentos exige também cidades mais organizadas, com planejamento urbano, saneamento, mobilidade, habitação e capacidade institucional para acompanhar o crescimento econômico sem comprometer os recursos naturais que sustentam essa vocação.

O mar sempre esteve diante dos nossos olhos. Talvez tenha chegado o momento de enxergá-lo não apenas como paisagem, mas como uma plataforma de desenvolvimento sustentável, inovação e geração de oportunidades.

A pergunta, portanto, não é se o Rio Grande do Norte possui vocação para a economia do mar. A resposta é evidente. A verdadeira questão é saber se teremos visão estratégica para transformar essa vocação em prosperidade para as próximas gerações. Afinal, quem aprender a navegar nas oportunidades de hoje chegará mais longe no futuro.

Vagner Araujo (@fvagner) é secretário do Planejamento de Natal