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Editorial

Pesquisa Exatus revela cenário ainda incerto para as eleições de 2026 no RN

Confira o editorial do Agora RN desta quarta-feira 29
Redação
29/04/2026 | 06:03

A pesquisa do Instituto Exatus divulgada pelo jornal O Correio de Hoje nesta terça-feira 28 apresenta um panorama ainda indefinido para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte.

Confirmando o que já vinham apontando os levantamentos sérios conduzidos ao longo do ano passado — e os que, neste ano, passaram a exigir o registro eleitoral —, os números mantêm o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra na liderança da corrida ao Governo do Estado. Logo atrás, desponta o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, herdeiro natural dos votos do aliado Rogério Marinho, que optou por se retirar do páreo. Em terceiro lugar, figura o ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier.

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Pesquisa Exatus revela cenário ainda incerto para as eleições de 2026 no RN - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em síntese, a pré-campanha ganhou forma, mas não teve força para alterar as posições no tabuleiro. O retrato é de continuidade no cenário.

Dito isso, os números, por si, não permitem afirmar, categoricamente, se a eleição será definida já no primeiro turno, em favor do líder mossoroense, ou se o pleito caminhará para um segundo turno. A preço de hoje, ambas as hipóteses seguem em aberto. É preciso lembrar, contudo, que a campanha eleitoral propriamente dita ainda nem começou. Os candidatos sequer foram registrados — o que ocorrerá apenas entre o fim de julho e o início de agosto, após as convenções partidárias. E é quando a propaganda eleitoral no rádio e na televisão tomar conta do cotidiano dos cidadãos que o quadro deverá, enfim, revelar seus contornos mais precisos.

Grande parte da população sequer pensa em escolher um candidato no atua lmomento. Contudo, a estatística é uma ciência. E levantamentos como o da Exatus já permitem identificar como se encontra o cenário geral, antes mesmo que a temperatura política suba.

Quando a campanha começar para valer, com as candidaturas nacionais muito provavelmente polarizadas entre Lula e Flávio Bolsonaro, alguma influência isso trará para o cenário regional. Não é possível mensurar, por ora, qual será o peso dessa polarização nacional — nem se ela terá o condão de gerar uma polarização equivalente dentro do Rio Grande do Norte. Esse é, aliás, o desejo declarado dos candidatos que se encontram atrás nas pesquisas: Cadu Xavier, candidato de Lula, e Álvaro Dias, candidato de Flávio Bolsonaro. Para ambos, a polarização é uma alavanca. Para Allyson Bezerra, ela é uma ameaça. O líder luta — e deverá continuar lutando — para se manter acima da disputa ideológica, fugindo de um cenário que não lhe interessa.

Este jornal não ousa arriscar palpites. Qualquer dos três pode estar no segundo turno. Seja Allyson com Álvaro, Allyson com Cadu, ou até mesmo Álvaro com Cadu. Os números não trazem essa definição. Tampouco se descarta uma vitória no primeiro turno. A preço de hoje, o nome com melhores condições para tanto seria Allyson Bezerra, que vem realizando uma pré-campanha ostensiva, conta com quase 60% do tempo de televisão na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV e é reconhecido como um exímio comunicador digital.

Para o Senado, a pesquisa confirma a preferência pelo senador Styvenson Valentim, com o segundo lugar tendendo à atual senadora Zenaide Maia, sobretudo após a retirada de Fátima Bezerra da disputa. Se a vaga de Styvenson parece consolidada, o mesmo não se pode dizer com segurança sobre Zenaide. A entrada em campo de figuras como Rafael Motta e Samanda Alves, somada ao desempenho surpreendente de um novato como o Coronel Hélio, demonstra que o quadro senatorial ainda tem espaço para movimento.

Há analistas que não descartam até mesmo uma derrocada de Styvenson — o que este jornal não acredita, haja vista a consistência da imagem do senador junto ao eleitorado potiguar, construída com mandato voltado para a destinação de recursos federais, obras concretas e uma notável mudança de postura: Styvenson deixou de ser um político avesso à política para se tornar um político que faz política.

A maior surpresa, até aqui, é Rafael Motta, lançado há poucas semanas e já bem posicionado. Quanto aos candidatos do PT, tanto Cadu Xavier quanto Samanda carregam o peso de uma rejeição elevada — fruto, em parte, da polarização nacional e, em outra parte, do desgaste da gestão da governadora Fátima Bezerra.

Para a Presidência da República, Lula confirma sua supremacia no Nordeste — e o Rio Grande do Norte não seria diferente. Mas os números de Flávio Bolsonaro surpreendem. A depender da campanha e da consolidação dessa polarização, o quadro pode ser alterado.

Em síntese: tudo pode acontecer. O cenário está indefinido. E os candidatos ainda têm tempo para rever estratégias e alimentar o sonho de vencer em outubro.