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Opinião

Lula e Bolsonaro na eleição municipal

Confira o artigo de Alexandre Macedo desta quinta 2
Alexandre Macedo
02/05/2024 | 07:31

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai tentar aumentar o cacife eleitoral e político do PT nas eleições municipais. Ao mesmo tempo, ele sabe que a eleição municipal é muito nervosa, porque envolve candidatos em cada cidade de partidos que compõem a sua base no Congresso Nacional. Base esta, aliás, que não tem solidez consistente.

Lula não precisa e não pode esgarçar essa relação com os partidos no segundo semestre, quando o Congresso tem um ritmo menor de trabalho, já a classe política se volta para as eleições. O presidente precisa ter cuidado para não voltar do período eleitoral com fissuras maiores na sua base e ter ainda mais dificuldade para enfrentar a segunda metade de governo.

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Presidente Lula e ex-presidente Bolsonaro - Foto: reprodução

Lula e seus aliados vão chegar ao segundo turno em muitas cidades, nas capitais principalmente. E haverá pressão do PT para que o presidente chegue junto dos candidatos do seu partido ou daqueles com os quais o PT simpatiza mais. O problema é que o PT é grande, forte, mas não garante a Lula a sustentação congressual necessária.

Lula não pode se indispor com os partidos de centro porque precisa deles. O Brasil não é um país de esquerda nem de direita. O Brasil é um país rachado em três partes, com o centro tendo preponderância. Para onde o centro se desloca, seja para esquerda ou direita, define a maioria e vence a eleição.

Em 2022, o personagem que significava a direita, que era o então presidente Jair Bolsonaro (PL), cometeu certos erros e equívocos que levaram o centro a não julgá-lo mais como competente para tocar o País. Com isso, o pleito pendeu um pouco mais para a esquerda e elegeu o presidente Lula.

Cabe ao PT saber que Lula tem um papel importante na eleição, mas que, desta vez, ele não conseguirá ser o grande cabo eleitoral do partido, o grande impulsionador, porque há fatos locais.

A eleição municipal é o momento para se discutir temas como saúde, educação, limpeza pública, calçamento e infraestrutura. Não é para discutir política econômica e social.

Os dois principais puxadores de votos, Lula e Bolsonaro, tentarão de todo jeito, em algum momento da campanha, se mostrarem absolutamente importantes no processo. Mas o eleitor é inteligente, sabido. Ele sabe distinguir uma eleição municipal de uma eleição estadual e uma eleição nacional. E é aí onde Lula e Bolsonaro terão de arrefecer os ânimos. Não é agora o cenário ideal para uma luta, mesmo que cada um vá lutar em cada cidade, em cada estado para aumentar o cacife dos seus partidos, dos seus aliados e do seu próprio nome.