Desde o ano passado, uma fiscalização ambiental da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) em parceria com a Companhia de Águas e Esgoto do Rio Grande do Norte (Caern) detectou graves irregularidades na bacia que atende os bairros de Mãe Luiza e Areia Preta. Três empreendimentos foram flagrados lançando efluentes na rede de drenagem e desaguando na praia de Areia Preta.
Com responsabilidade, a fiscalização foi estendido para a praia de Ponta Negra como parte das ações envolvidas com o projeto de engorda da praia. O foco era verificar se existiam ligações clandestinas de esgotos e efluentes sendo despejadas na praia. A terceira semana de 2025 começou com fortes chuvas na região metropolitana. Segundo dados do boletim pluviométrico da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), chuveu na capital potiguar 37.6 mm, o suficiente para diversos pontos de alagamento.
Já o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registrou acumulado de 50 milímetros de água em Ponta Negra, na Zona Sul de Natal, em seis horas de chuva. Um acúmulo de água na faixa de areia da praia de Ponta Negra que já recebeu a obra da engorda chamava a atenção de turistas e populares. Mal cheiro de esgotos, que antes descia e entrava direto no mar, mas nesta segunda-feira 13 se acumulou na faixa de areia, como mostraram vídeos que circularam em redes sociais.
Esgostos na praia chamou a atenção do Brasil, no início do ano pelo surto de virose no litoral paulista, que tem atingido cidades como Guarujá e Praia Grande, ambas na Baixada Santista (SP). Um velho problema de contaminação das praias com esgoto é agravado pelo lixo e por rejeitos carregados pela chuva até os canais e o mar, além da infiltração do esgoto em redes pluviais, por causa de ligações clandestinas, que não passam por sistemas de tratamento. Isso não só em Natal, como em várias praias do litoral brasileiro.
Antes das fortes chuvas, o Boletim da Balneabilidade das praias do Rio Grande do Norte, emitido na sexta-feira 10, garantia que todas as praias urbanas de Natal permaneciam próprias para banho. Precisamos continuar focados com a possibilidade de dejetos, puxada pelo aumento da população durante as temporadas de verão, para não prejudicar a situação de balneabilidade. Fiscalizar as redes de águas fluviais ou pluviais na de esgoto e vice-versa é uma prevenção para evitar um surto de virose, por exemplo.
Rodrigo Rafael, jornalista, Diretor de Representação Institucional da Assembleia Legislativa e tem MBA em Environmental, Social & Governance (ESG) pelo IBMEC/São Paulo
