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Editorial

O bom momento do comércio e o que ainda falta fazer para crescer mais

Confira o editorial do Agora RN desta terça-feira 18
Editorial
18/11/2025 | 05:38

O comércio do Rio Grande do Norte vive um bom momento. O varejo ampliado cresceu 5,5% em setembro, no quinto mês consecutivo de alta, muito acima da média nacional (1,1%), segundo o IBGE. O acumulado de 2025 já chega a 2,3%, enquanto o País patina em terreno negativo (-0,3%). Em meio a juros elevados e cenário econômico incerto, o desempenho potiguar merece ser reconhecido. Ele revela resiliência dos empresários, adaptação dos lojistas, dinamismo de segmentos como material de construção, supermercados, farmácias e veículos, e um consumidor que, pouco a pouco, volta a se movimentar.

Mas os próprios números mostram que há espaço — e necessidade — para ir além. O comércio potiguar tem insistido em uma agenda clara, consistente e pública de reivindicações que não pode mais ser tratada como acessória. Se o Estado quer consolidar essa trajetória de crescimento e permitir que ela avance sobre bases mais sólidas, é fundamental encarar os pontos que o setor vem apresentando há anos.

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O bom momento do comércio e o que ainda falta fazer para crescer mais - Foto: José Aldenir/Agora RN

O primeiro deles é segurança pública. Corredores comerciais no Alecrim, na Cidade Alta e na Zona Norte sofrem com um aspecto de abandono que afasta clientes, encarece operações e prejudica o ambiente de negócios. O varejo pede reforço de patrulhamento, integração de tecnologias e monitoramento mais eficiente — demandas para quem pretende que o consumidor circule e consuma com tranquilidade.

Outro ponto é a mobilidade urbana. Em uma cidade cuja economia depende do fluxo de pessoas, não faz sentido que os principais polos comerciais continuem travados, com falta de vagas, congestionamentos e desordem urbana. A queixa é antiga: é preciso reorganizar o trânsito, ampliar zonas de estacionamento, melhorar o transporte e planejar melhor a logística urbana. O comércio de Alecrim, ano após ano, tem perdido espaço para os shoppings, e a falta de lugar para estacionar é um dos principais fatores para isso.

Há também a questão da carga tributária, que continua pesada e desproporcional para pequenos e médios lojistas. Os empresários cobram simplificação, incentivos, redução de burocracias e mais previsibilidade tributária. Não se trata de pleito isolado: todos os diagnósticos que discutem ambiente de negócios apontam, invariavelmente, para o peso do custo operacional no Brasil — e o RN não está imune a isso.

A requalificação dos centros comerciais é outro ponto central. O comércio do Alecrim, da Cidade Alta e de outras regiões há tempos pede calçadas adequadas, iluminação, ordenamento de ambulantes, medidas de acessibilidade, paisagismo e segurança. A revitalização urbana é instrumento econômico, e não apenas urbanístico. Sem ela, a recuperação é sempre parcial.

E, por fim, o setor demanda políticas de apoio ao empreendedorismo, desde linhas de crédito mais baratas até capacitação, estímulo ao comércio eletrônico e campanhas de valorização do varejo local. Um ambiente de negócios moderno não nasce do acaso: é construído com planejamento, prioridade e diálogo permanente.

Essas cobranças não são novas — e talvez por isso mesmo precisem ganhar novo peso. O desempenho recente mostra que o comércio pode mais. Mostra que, quando há um mínimo de estabilidade e um pouco de tração econômica, o setor responde com rapidez, contrata mais, abre vagas e gera dinamismo social. Tanto que, mesmo em um ano de economia moderada, a estimativa é de 31,2 mil contratações temporárias no fim de 2025. O número é menor do que o registrado em 2024, mas ainda expressivo, e reforça o papel central do varejo na engrenagem da economia potiguar.

É justamente por isso que o poder público não pode tratar esse momento como algo automático ou garantido. Crescer 5,5% em setembro não é obra do acaso: é resultado de esforço empresarial, adaptação a um ambiente macroeconômico difícil e, sobretudo, potencial de um setor que continua sendo o maior empregador e o maior termômetro da economia do RN.

O Estado tem a oportunidade de transformar esse ciclo de recuperações pontuais em um ciclo mais longo e sustentável de desenvolvimento — mas isso exige responder às pautas do comércio com seriedade, planejamento e senso de urgência. Não se trata de atender a um grupo específico, mas de fortalecer a base econômica de toda uma cadeia produtiva que sustenta milhares de empregos formais e informais.

Os bons números precisam ser celebrados, sim. Mas também precisam servir de alerta: não haverá crescimento duradouro sem ambiente favorável para quem produz, investe e emprega. O comércio potiguar está fazendo sua parte. Agora, cabe ao poder público garantir que esses avanços não sejam apenas estatísticos, e sim estruturantes.