A terceira rodada da pesquisa Exatus, publicada por O Correio de Hoje, confirma uma eleição em movimento, mas ainda sem mudança de comando. Allyson Bezerra (União Brasil) passou de 37,3% em abril para 41% em maio e 41,78% em julho. Álvaro Dias (PL) saiu de 24,9%, caiu para 22,8% e reagiu para 26,05%. Cadu Xavier (PT) manteve uma curva mais modesta, porém contínua: 10,7%, 12,6% e 13,74%.
O dado central é que Allyson consolidou um patamar muito alto antes mesmo do início oficial da campanha. Considerados apenas os votos válidos, chega a 50,8%, índice suficiente para uma vitória no primeiro turno, embora dentro de uma zona estatisticamente apertada. A vantagem existe, mas ainda não pode ser tratada como resultado consumado.

A pesquisa não explica sozinha as causas das oscilações, mas permite algumas leituras. A dianteira de Allyson coincide com a estratégia mais visível da pré-campanha, com bastante exposição de imagem por meio digital, tendo percorrido mais de 120 municípios, numa pré-campanha de popularização por meio de vídeos e postagens, método que produziu capilaridade.
Allyson não depende apenas de grandes eventos nem de aparições ocasionais. Ele aparece cidade por cidade, constrói uma narrativa de proximidade e transforma o interior em vitrine política. Seu desafio agora é manter um índice que já atingiu o teto natural de uma pré-campanha. Crescer mais será difícil; cair, com o aumento da exposição dos adversários, é uma possibilidade concreta.
Álvaro Dias ensaia uma recuperação depois da queda registrada em maio. O recuo coincidiu com declarações mal recebidas sobre a Uern e com a intensificação dos ataques à sua gestão em Natal, especialmente em torno da engorda de Ponta Negra e do Hospital Municipal, inaugurado sem entrega plena dos serviços.
Desde então, Álvaro reduziu entrevistas, passou por treinamento de mídia e reorganizou a campanha. A entrada do prefeito Paulinho Freire (União) na coordenação da capital e a atuação de Babá Pereira (PL) junto a prefeitos do interior parecem ter dado mais consistência à candidatura.
Álvaro cresceu 3,3 pontos desde maio, movimento acima da margem de erro. Ainda está distante de Allyson, mas voltou ao jogo.
Cadu Xavier avança de forma mais lenta, como era previsível. Começou a disputa pouco conhecido e carregando o desgaste do Governo Fátima. Seu crescimento ocorre à medida que o eleitorado de esquerda passa a identificá-lo como candidato da governadora e do presidente Lula.
A passagem recente de Lula pelo Estado ajudou nesse processo. Até a frase em que o presidente disse não conhecer Cadu, embora constrangedora, deu ao candidato algo de que ainda precisava: exposição. Para um nome desconhecido, ser comentado pode ser mais útil do que permanecer invisível.
A polarização nacional tende a favorecer Cadu e a criar dificuldades para Álvaro. Lula lidera no Rio Grande do Norte, enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta rejeição elevada e oferece uma referência nacional menos competitiva ao candidato do PL.
Se nada extraordinário ocorrer, Allyson deve manter a liderança, enquanto Álvaro e Cadu disputarão o eleitor ainda indeciso. A vitória no primeiro turno é possível, mas está longe de ser inevitável. A campanha de verdade ainda não começou.