A banda mineira Lamparina disponibilizou nas plataformas digitais a primeira parte de “Delírio Coletivo”, álbum que transforma temas ligados à saúde mental, identidade e comportamento em uma experiência musical marcada pela psicodelia, pelo surrealismo e por referências à música brasileira. O projeto chega ao público com sete faixas e inaugura uma nova fase na trajetória do grupo, que acumula mais de 50 milhões de reproduções nas plataformas de streaming.
Inspirado na vivência da vocalista Marina Miglio e em sua atuação na defesa da luta antimanicomial e da promoção da saúde mental, o disco propõe uma reflexão sobre os conceitos de normalidade e pertencimento. A obra parte da ideia de que a singularidade humana não deve ser reprimida por convenções sociais, conceito sintetizado em uma das frases que norteiam o trabalho: “Tudo que é normal demais, é chato”.

O título “Delírio Coletivo” reflete justamente essa proposta. Mais do que uma referência à loucura em seu sentido clínico, o álbum busca discutir padrões sociais, preconceitos e estigmas, incentivando a valorização das diferenças e a construção de novas formas de enxergar a individualidade.
Musicalmente, o trabalho dialoga com movimentos históricos da música brasileira, especialmente a Tropicália e grupos que marcaram as décadas de 1970 e 1980, como os Os Mutantes e Secos & Molhados. Essas influências aparecem reinterpretadas em uma linguagem contemporânea, combinando elementos da MPB, do rock psicodélico e da música popular brasileira com a identidade construída pela banda desde sua formação.
A proposta artística também se estende ao universo visual do projeto. Inspirado por referências do surrealismo, do expressionismo e da arte de colagem, o álbum cria uma estética própria que acompanha os temas explorados nas canções. A capa foi desenvolvida por Diogo Kuriyama e dialoga diretamente com a narrativa construída ao longo do disco.
Além do aspecto artístico, o lançamento se conecta a discussões cada vez mais presentes na sociedade brasileira, como saúde mental, diversidade, inclusão e combate ao preconceito. A banda utiliza a música como ferramenta para estimular reflexões sobre temas que ganharam maior visibilidade nos últimos anos, especialmente após o fortalecimento dos debates sobre bem-estar emocional e direitos humanos.
A divulgação do projeto começou com o lançamento do single Apaga a Luz, gravado em parceria com a rapper Karol Conká. Agora, o público tem acesso a mais seis músicas que completam a primeira etapa do álbum: Ciência, Beira de Rio Bahia, Good Morning, Segredo, Saliva e Um Minuto de Prazer. A segunda parte de “Delírio Coletivo” está prevista para chegar às plataformas digitais em agosto, concluindo o conceito desenvolvido pela banda para o projeto.
Formada em 2018, a Lamparina é composta por Marina Miglio (vocal), Cotô Delamarque (vocal e guitarra), Calvin Delamarque (baixo), Stênio Galgani (guitarra solo) e Bino (percussão). Nos últimos anos, o grupo ganhou projeção nacional ao apostar em uma sonoridade que mistura referências da música brasileira com influências contemporâneas.
Entre os trabalhos mais recentes da banda estão o álbum Original Brasil, lançado em 2023, e os singles Besteira Minha e Conversa Fiada, ambos de 2024. Nesta última faixa, o grupo dividiu os vocais com Mariana Aydar em uma celebração à diversidade e à pluralidade musical brasileira.
O lançamento de “Delírio Coletivo” foi viabilizado por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e conta com apoio da Natura Musical.
Segundo Julia Ceschin, a iniciativa está alinhada à proposta da plataforma de incentivar diferentes manifestações artísticas e fortalecer a produção musical brasileira.
“Neste ano de comemoração de duas décadas em atividade, Natura Musical reafirma seu compromisso com a música com a visão de ser uma plataforma de valorização do nosso patrimônio de humanidades, que conecta e amplia a cultura de indivíduos e povos. Acreditamos que projetos como este, que traz um universo de sonoridades, estéticas, narrativas e processos criativos, auxiliam na construção e renovação da cena musical brasileira”, pontua Julia Ceschin.