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Análise
Com medo da Covid-19, pessoas não vão ao hospital tratar infarto ou câncer
O número de novos atendimentos na ONG Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer), por exemplo, caiu 85%
Uol
04/05/2020 | 09:53

O número de infectados pelo novo coronavírus nos hospitais só aumenta. Mas ao mesmo tempo, médicos têm notado uma redução significativa de pacientes com doenças que costumavam ser maioria nos corredores: câncer e cardiopatias.

A principal hipótese para esse “sumiço” é o medo de contaminação pelo Sars-CoV-2, que julgam ser mais perigoso do que essas outras doenças —o que não é verdade. “O risco de ter um infarto em casa e morrer por não procurar um pronto-socorro é muito maior do que pegar a covid-19”, diz Pedro Silvio Farsky, cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto Dante Pazzanese, ambos em São Paulo.

O especialista confirma que ele e seus colegas notaram uma redução drástica de pacientes com emergências cardiovasculares, como infarto e AVC. “Agora, as pessoas vêm ao hospital só quando ocorre um agravamento do quadro, o que é muito perigoso”, diz.

O tratamento para essas doenças só é eficaz se o atendimento for precoce. De acordo com Farsky, essa janela de eficácia dura poucas horas para o AVC e até 12 horas para o infarto.

Ricardo Costa, cardiologista intervencionista e presidente da SBHCI (Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista), diz que o infarto é a principal causa de morte no Brasil e no mundo. “Trata-se de uma emergência médica que precisa ser tratada com brevidade. O não-tratamento ou o tratamento retardado pode ser fatal ou deixar graves sequelas ao coração”, alerta.

Oncologistas revelam que o mesmo problema tem sido visto em pessoas com câncer. “Houve uma diminuição expressiva no número de pacientes que continuaram ou que iniciaram seus tratamentos oncológicos, sejam eles cirúrgicos ou clínicos, neste momento de pandemia”, diz Rachel Riechelmann, head da Oncalogia Clínica A.C. Camargo Cancer Center, em Sã Paulo.

Até mesmo em centros de oncologia pediátrica houve diminuição de pacientes. O número de novos atendimentos na ONG Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer), por exemplo, caiu 85%. De 25 novos atendimentos por mês, em abril esse número chegou a apenas cinco. A organização é parceira do Hospital Santa Marcelina, onde foi criado o único centro de Oncologia Pediátrica da Zona Leste de São Paulo.

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