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Crime digital

Criminosos usam Telegram para vender vídeos de abuso sexual infantil a partir de R$ 10

Investigação encontrou ao menos 35 links divulgados no TikTok; pagamentos por Pix deixam rastros que podem identificar vendedores e compradores
Agora RN
26/09/2026 | 10:20

Criminosos estão usando o Telegram para vender vídeos de abuso sexual infantil por valores a partir de R$ 10. Uma investigação publicada pelo g1 identificou ao menos 35 links divulgados no TikTok que direcionavam usuários para grupos, conversas privadas e sistemas automatizados de venda no aplicativo de mensagens.

Os pacotes anunciados custavam entre R$ 10 e R$ 150. Parte dos vendedores aceitava criptomoedas, mas também foram encontradas cobranças por Pix. Segundo investigadores da Polícia Federal ouvidos pela reportagem, as transferências bancárias deixam registros que podem ajudar a identificar tanto os responsáveis pela venda quanto os compradores do material.

Captura de tela de conversa no Telegram usada para anunciar vídeos de abuso sexual infantil, com imagens ocultadas
Captura de tela mostra conversa no Telegram usada para anunciar a venda de material criminoso; as imagens foram ocultadas — Foto: Reprodução/Telegram

Os criminosos usavam publicações aparentemente sem relação direta com os crimes para atrair interessados. Códigos e links colocados nos comentários conduziam a ambientes no Telegram, onde as negociações eram realizadas. Algumas contas bancárias usadas para receber o dinheiro pertenciam a terceiros, incluindo possíveis laranjas e pessoas próximas aos envolvidos.

A produção, a venda, a compra, o armazenamento e o compartilhamento de conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes são crimes no Brasil. A expressão substitui o termo “pornografia infantil”, considerado inadequado por especialistas por não representar a violência e a ausência de consentimento das vítimas.

Pagamentos no Telegram podem levar aos envolvidos

Embora os vendedores afirmassem que as operações não poderiam ser rastreadas, a Polícia Federal esclareceu que essa informação é falsa. As instituições financeiras mantêm registros das transferências e podem identificar movimentações atípicas, contas que recebem valores de diferentes regiões e os dados de quem envia ou recebe o dinheiro.

A investigação mostrou ainda que os próprios compradores eram incentivados a divulgar links em outras redes sociais em troca de acesso a novos arquivos. A estratégia ampliava o alcance dos anúncios e transformava os interessados em distribuidores do conteúdo criminoso.

Desde agosto, a legislação brasileira prevê penas mais duras para crimes dessa natureza. Quem produz ou vende material de violência sexual contra crianças e adolescentes pode ser condenado a quatro a dez anos de prisão, além de multa. Para quem adquire, possui ou armazena o conteúdo, a pena varia de três a seis anos de prisão e multa.

As regras também abrangem representações de crianças e adolescentes criadas por inteligência artificial. Toda a cadeia pode ser responsabilizada, desde a produção e divulgação até a compra e manutenção dos arquivos.

O Telegram afirmou que proíbe esse tipo de conteúdo e informou ter removido mais de 339 mil grupos e canais relacionados ao crime em 2026. A plataforma declarou que utiliza moderação humana e ferramentas automáticas para comparar arquivos publicados com bancos de dados de conteúdos já identificados.

O TikTok disse que remove as publicações e bane permanentemente as contas envolvidas. Segundo a empresa, 99,8% dos conteúdos que violaram suas regras sobre abuso sexual e físico de jovens foram retirados de forma preventiva no primeiro trimestre de 2026.

Como denunciar

Casos envolvendo crianças ou adolescentes em risco imediato devem ser comunicados à Polícia Militar pelo telefone 190. Denúncias também podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, em delegacias, no Ministério Público e nos conselhos tutelares.

Quem receber esse tipo de arquivo não deve baixar, armazenar nem encaminhar o conteúdo. A orientação é preservar apenas as informações necessárias para a denúncia, como o endereço da página, o nome do perfil e o link da publicação, e entregá-las às autoridades.

No Rio Grande do Norte, a Polícia Federal realizou recentemente uma operação em Natal contra o armazenamento e o compartilhamento de material de abuso sexual infantil. Outra ação em Mossoró cumpriu mandado de busca durante investigação semelhante.

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