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Receita

Arrecadação federal passa de R$ 2 trilhões em oito meses e cresce 7,12% acima da inflação

Previdência, PIS/Cofins e os tributos sobre renda e lucro puxaram o resultado; só no mês de agosto, o governo federal recolheu R$ 235,5 bilhões
Agora RN
23/09/2026 | 18:54

A arrecadação federal fechou os oito primeiros meses de 2026 acima de R$ 2 trilhões. O valor exato é de R$ 2,019 trilhões entre janeiro e agosto, o que significa 7,12% a mais do que no mesmo intervalo de 2025, já descontada a inflação. Os dados saíram na terça-feira 22, pela Receita Federal.

Agosto sozinho respondeu por R$ 235,5 bilhões. Nesse mês, o avanço real bateu em 8,25% na comparação com agosto do ano passado — ritmo, portanto, mais forte do que o do acumulado. O desconto usa o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial da inflação no país.

Placa de concreto com o logotipo da Receita Federal e a inscrição Superintendência da Receita Federal, vista de baixo
Sede da Receita Federal, em imagem de arquivo: o órgão divulgou os números dos oito primeiros meses na terça-feira 22 — Marcelo Camargo/Agência Brasil

Do total de agosto, R$ 227,8 bilhões vieram das chamadas receitas administradas, aquelas que o próprio órgão arrecada e fiscaliza, já limpas de fatores não recorrentes e de mudanças na legislação. É o número que os economistas costumam olhar para medir a tendência, porque exclui o que entrou por motivo pontual.

O que empurrou o resultado, na leitura da Receita, foi um trio de fontes. A primeira é a contribuição para a Previdência Social. A segunda é o PIS/Cofins, cujo avanço acompanha o aumento das vendas: quando o comércio gira mais, a base de cálculo cresce junto. A terceira é o que incide sobre renda e lucro.

Nessa última frente, três tributos aparecem em alta. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), cobrado direto do salário e de outros rendimentos. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), que recai sobre o lucro das empresas. E a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que tem a mesma base.

Uma quarta fonte ganhou peso nas contas do governo: o Imposto de Exportação cobrado sobre óleo bruto. Foram R$ 1,9 bilhão só em agosto e R$ 9,9 bilhões no acumulado dos oito meses. Só esse tributo, portanto, responde por quase metade de um ponto percentual do que entrou no período.

A diferença entre os dois ritmos também diz algo. O mês de agosto cresceu 8,25%, contra 7,12% do acumulado de janeiro a agosto — sinal de que a arrecadação acelerou na segunda metade do intervalo, em vez de manter o passo do começo do ano.

Somadas, essas linhas se apoiam em três movimentos da economia — o mercado de trabalho, a venda das empresas e o resultado das companhias. É desse jeito que a Receita explica boa parte da expansão real registrada ao longo de 2026.

Com R$ 2,019 trilhões no caixa até agosto, o governo federal arrecada mais do que arrecadava no mesmo intervalo do ano passado, mesmo depois de tirar a inflação da conta.