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Economia

Indústria do RN acelera produção, mas geração de empregos segue em queda

Sondagem da Fiern mostra segundo mês seguido de expansão e uso de 75% da capacidade instalada; o emprego completou cinco meses de retração
Agora RN
25/09/2026 | 22:59

A indústria do Rio Grande do Norte chegou ao segundo mês consecutivo de crescimento da produção em agosto, mas ainda sem transformar a melhora da atividade em expansão do emprego. A Sondagem das Indústrias Extrativas e de Transformação, elaborada pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), registrou 53,6 pontos no indicador de produção. Valores acima de 50 indicam aumento em relação ao mês anterior.

O avanço ocorreu acompanhado de maior ocupação das fábricas. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) passou de 71% em julho para 75% em agosto. O emprego, porém, marcou 48 pontos e completou cinco meses seguidos de retração. Os estoques de produtos finais subiram, com indicador de 50,7 pontos, e permaneceram acima do planejado pelas empresas, aos 52,3 pontos.

Galpão de confecção com dezenas de trabalhadores em máquinas de costura dispostas em fileiras
A indústria registra crescimento, segundo a sondagem da Fiern em parceria com a CNI, e o segmento têxtil é destaque — José Aldenir/Agora RN

O desempenho ganha dimensão quando observado o tamanho do setor. Dados do Perfil da Indústria da CNI apontam 15.063 estabelecimentos industriais no RN em 2025, responsáveis por 132.049 trabalhadores. A indústria respondia por 23,4% do PIB estadual em 2023, com R$ 21,1 bilhões em valor adicionado.

A estrutura industrial é formada majoritariamente por negócios menores: 85,5% dos estabelecimentos são microempresas e outros 12% são pequenos. Médias representam 2,1% e grandes, apenas 0,3%. O peso das maiores cresce, no entanto, quando se observa o emprego: as grandes empresas concentram 34,4% dos postos industriais.

Essa diferença de porte também aparece na sondagem. Pequenas indústrias relataram redução da produção e do emprego em agosto e esperam queda da demanda e das compras de matérias-primas. Médias e grandes informaram aumento da produção, estabilidade do emprego e expectativa de crescimento da demanda.

Para os próximos seis meses, o conjunto dos empresários mantém expectativa de crescimento da demanda, com indicador de 51,7 pontos, embora menor do que no levantamento anterior. As previsões são de redução do emprego, com 46,1 pontos, das exportações, com 45, e ligeira retração nas compras de matérias-primas, aos 49,8 pontos.

A intenção de investimento interrompeu três quedas consecutivas e passou de 63 para 63,3 pontos em setembro. O movimento contrasta com o cenário nacional. A sondagem da CNI apontou produção de 46,3 pontos no Brasil em agosto e utilização de 69% da capacidade instalada, abaixo dos 75% registrados no RN.

Indústrias extrativas vão de petróleo e gás ao sal

A indústria extrativa potiguar está apoiada principalmente em petróleo e gás natural e em uma base mineral que inclui sal marinho, calcário, scheelita, rochas ornamentais, feldspato, caulim, quartzo, areia, argila e brita.

Petróleo e gás permanecem entre as atividades de maior peso. Segundo a CNI, somente a extração de petróleo e gás natural representa 11,7% da estrutura industrial do Estado. A Bacia Potiguar mantém operações terrestres e marítimas e faz do RN um dos polos tradicionais de produção de hidrocarbonetos do Nordeste. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) mantém registros mensais de produção de óleo e gás no Estado.

A mineração tem ainda uma particularidade: a presença do sal marinho na Costa Branca, especialmente no eixo de Mossoró, Areia Branca, Macau, Grossos e Galinhos. A cadeia envolve desde a retirada do recurso mineral até beneficiamento, transporte e utilização industrial.

O Seridó reúne outra frente mineral, com ocorrências de scheelita, minério do qual se obtém tungstênio, além de feldspato, quartzo e gemas. Calcário e materiais empregados pela construção civil ampliam o mapa extrativo para outras regiões.

Essa diversidade ajuda a explicar por que a atividade industrial não está limitada à Grande Natal. A localização das matérias-primas distribui empreendimentos pelo interior e cria cadeias associadas de transporte, beneficiamento, manutenção e serviços.

Transformação reúne alimentos e têxteis como principais vertentes

A indústria de transformação apresenta uma composição mais diversificada. O RN fabrica alimentos e bebidas, produtos têxteis e vestuário, derivados de petróleo e biocombustíveis, produtos químicos, minerais não metálicos, artigos de plástico, produtos metálicos, móveis e outros bens.

A fabricação de alimentos responde por 8% da estrutura industrial estadual, segundo o Perfil da Indústria da CNI. O segmento inclui processamento de frutas, castanha de caju, pescado, camarão, carnes, laticínios, massas e produtos de panificação.

Têxtil e confecções formam outra cadeia de presença histórica no Estado, reunindo produção de fios, tecidos, malharia e vestuário. A transformação também absorve recursos da própria base mineral potiguar. Calcário, areia e argila alimentam segmentos de cimento, cerâmica, concreto e outros produtos minerais não metálicos.

Petróleo e gás também reaparecem nessa etapa da cadeia. Em vez da extração do recurso, entram atividades de refino e fabricação de derivados. O peso dessa cadeia é particularmente visível no comércio exterior: derivados de petróleo e biocombustíveis responderam por 70,89% das exportações industriais do RN em 2025. As vendas externas de produtos industrializados alcançaram US$ 773,5 milhões, equivalentes a 68,6% de todas as exportações estaduais.

A diversidade setorial ajuda a entender por que a melhora indicada pela sondagem não se distribui de forma uniforme. Enquanto médias e grandes empresas puxaram a expansão de agosto, as pequenas ainda relataram redução da atividade.

O quadro de setembro combina, assim, sinais em direções diferentes. A produção avançou pelo segundo mês, a utilização da capacidade chegou a 75% e a intenção de investimento voltou a crescer. Ao mesmo tempo, o emprego acumula cinco meses de retração e os empresários reduziram as expectativas para contratação, compra de matérias-primas e exportações.

No comparativo nacional, porém, o RN chega ao fim do terceiro trimestre em posição distinta da média observada pela CNI: enquanto os empresários potiguares indicaram crescimento da produção em agosto, o indicador brasileiro caiu para 46,3 pontos.