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Economia

Mercado imobiliário terá novos lançamentos para 2023 no RN

Próximo ano deve ter novas obras para os segmentos de alto padrão, classe média e de entrada; reformulação do Plano Diretor e indicadores econômicos são fatores positivos ao segmento
Douglas Lemos
10/11/2022 | 00:09

Aos poucos, o mercado imobiliário já começa a se preparar para 2023 no Rio Grande do Norte. De acordo com algumas construtoras, o próximo ano será de lançamentos para o segmento no Estado. As expectativas são diferentes, principalmente em relação à falta de anúncio da equipe econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assume a Presidência do Brasil a partir de janeiro. Embora a conjuntura econômica seja importante para o setor, os lançamentos não devem ser alterados, pelo menos para duas construtoras consultadas pelo AGORA RN.
De acordo com Wescley Magalhães, gerente da construtora Moura Dubeux no Rio Grande do Norte, o número de lançamentos para o ano que vem deve variar de acordo com o comportamento do mercado.

“A gente adquiriu várias áreas estratégicas em Natal e no RN. Montamos um portfólio diversificado. Estamos bem esperançosos e otimistas com 2023. São projetos de alta renda, média renda. Vamos diversificar o portfólio não só em Natal. À medida que o mercado for reagindo. Ninguém vai colocar quantidade de imóveis maior do que o mercado é capaz de absorver. Prospectamos em torno de dois, três e até quatro lançamentos a depender do comportamento do mercado”, disse. A construtora planeja obras de alto padrão e também no segmento de entrada.

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Póximo ano será de lançamentos para o setor de construção no RN - Foto: Reprodução

O número mínimo também é o mesmo para a construtora Constel, que planeja novidades para os bairros de Lagoa Nova e Candelária, Zona Sul da capital potiguar. “Temos projetos em andamento que estão em desenvolvimento e vão ser levados à aprovação. Vai depender do tempo que os órgãos levam para liberar estes projetos para poder saber se consegue lançar neste próximo ano ou não. Mas a gente pretende lançar dois projetos. Por volta de 250 apartamentos nos dois projetos. Um terceiro deve ficar para 2024”, adiantou Francisco Ramos, sócio fundador da corporação.

No entanto, os dois têm maneiras diferentes de projetar expectativas para o ano que vem. “A gente olha com otimismo. Porque Natal em nível de negócios ele está abaixo do que pode. Mas Natal é uma cidade que consegue comercializar de R$ 650 milhões a R$ 700 milhões por ano. E a gente está em torno da metade disso neste ano. Natal tem capacidade de comercializar mais imóveis”, disse Magalhães. “Eu não estou com muita expectativa. Na realidade, a gente está aguardando as definições políticas econômicas do novo governo para saber o que pode pensar”, explica Ramos.
Para o sócio da Constel, a falta de projeção de expectativas vem pelo fato de ainda não haver anúncio a respeito da equipe econômica para a gestão de Lula, que começa em janeiro. “A gente tinha uma política econômica que tinha conhecimento. A gente sabia o que pensava o ministro da Economia [Paulo Guedes]. Agora nós vamos ter uma mudança de governo, ninguém sabe ainda quem é o ministro da Economia e qual a perspectiva que ele vai colocar para o mercado. Estamos aguardando qual vai ser a política adotada para poder ter uma certeza da expectativa que a gente vai conseguir obter”, comentou.

Para o gerente da Moura Dubeux a conjuntura econômica pode interferir diretamente em decisões do setor, mas o mercado potiguar tem particularidades. “Toda a conjuntura econômica, e isso passa por uma agenda política, passa sim por um grau de interferência nas decisões e no nosso mercado. Especificamente em Natal, por ser muito demandado, a oferta e o volume de negócios ainda é muito aquém do que a cidade pode. A gente pode promover investimentos independente da conjuntura política e entender que independente do resultado da eleição, faremos investimentos em Natal”, afirma.

Isto, aliás, explica o otimismo da Moura Dubeux para o segmento no ano que vem. “A gente atribui essa defasagem nem tanto pela própria pandemia, o momento econômico que o país atravessou, mas pelo represamento de lançamentos que o Plano Diretor proporcionou. Superada esta aprovação do Plano Diretor, o mercado se prepara para uma nova era”, explicou.
Para a Constel, entretanto, os planos podem passar por revisões de acordo com a realidade do País. “Na realidade, se a economia ainda tiver uma tendência de recuperação, a gente mantém o nosso planejamento. Se ela apresentar alguma informação que possa vir a afetar a demanda dos projetos, a gente vai rever se continua ou se aborta”, projeta.

Moura Dubeux prepara lançamentos voltados para segunda residência em Natal

Conhecida por atuar no segmento de alto padrão, a Moura Dubeux opera em sete estados da região Nordeste. Segundo Homero Moutinho, diretor regional da construtora para os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe, o mercado potiguar se encontra no mesmo patamar desses outros estados. “Classificamos o mercado do Rio Grande do Norte equivalente às praças da Paraíba, Alagoas e Sergipe, até por uma questão do quantitativo da população bem semelhante nas capitais, e também entendemos que o mercado imobiliário nestas cidades tenha um vigor próprio”, analisa.

Ainda de acordo com o diretor regional da empresa, o RN tem como característica projeto com viés de segunda residência. Para estes consumidores, serão ofertados imóveis de metragem menor, cujas áreas, que devem ser próximas a praias, ainda passam por estudos. “São imóveis compactos que podem ser colocados em plataformas de locação para gerar renda e funcionam também como segunda residência, uma casa de praia, com todo serviço de concierge, incluindo limpeza e manutenção no sistema de pay per use”, adiantou.

Além disso, a construtora adianta que para os próximos anos terá um olhar focado também em projetos de entrada no RN. “Já em se tratando de volume de negócios, temos um plano de negócios para o Rio Grande do Norte de ter lançamentos para os próximos anos que girem entre 150 e 200 milhões de reais, que ficam em linha com os mercados da Paraíba, Alagoas e Sergipe”, finaliza.

Novidades com “força total” ano que vem

Depois de um tempo com poucos lançamentos, o mercado imobiliário acredita que o fim deste ano e o início de 2023 podem ser tratados como um marco para o setor. De acordo com Ricardo Abreu, da Abreu Imóveis, a expectativa é de várias novidades. “Acredito que vão voltar os lançamentos imobiliários com muita força em Natal e Grande Natal, quando falo Natal, estendo para Parnamirim. Vai ter muita coisa para sair em diversos segmentos, tanto no alto padrão, quanto no médio e nos programas Casa Verde e Amarela, antigo Minha Casa, Minha vida”, analisou.

Para Caio Fernandes, empresário do segmento imobiliário, o mercado continuou funcionando, mas em 2023 o ânimo do setor será diferente e o preço do metro quadrado deve passar por revisão na capital potiguar. “A gente espera ter uma retomada para o ano que vem. Naturalmente, os preços vão ser atualizados. Com a clareza e as definições do PD, as construtoras têm condições de desengavetar projetos e, com as novas condições do PD, ver o que podem fazer”, disse.

Abreu acredita em oxigenação do setor, após um período de cinco anos sem grandes novidades. “A gente passou um período muito grande sem lançamentos. Teve pandemia, Plano Diretor. Então isso dificultou um pouco. Uma vez que houve essa reformulação do Plano Diretor, muita gente ficou esperando as novas definições. Agora, acho que vai vir forte. Como já está acontecendo tanto no Ceará, como na Paraíba e Pernambuco. O mercado [nestes locais] já lançou muito ao longo de 2022”, pontuou.

10Fernandes afirmou que parte do período sem lançamentos se dá pelos estoques de apartamentos não vendidos pelas grandes incorporadoras. “Estes estoques agora que zeraram. Então a concentração de forças estava na venda de estoque. Agora, praticamente não tem em relação a quatro ou cinco anos atrás, praticamente não tem estoque. Essas mesmas incorporadoras estão desengavetando projetos, ou fazendo novos projetos”, afirma.