A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou a operação regular de duas novas companhias aéreas estrangeiras no Brasil, em uma decisão que amplia a conectividade internacional do País e viabiliza projetos estratégicos de expansão de rotas. A espanhola Wamos Air e a nigeriana Air Peace receberam autorização para realizar serviços regulares de transporte aéreo internacional de passageiros e cargas.
A habilitação da Wamos Air tem impacto direto sobre os planos da Gol de ampliar sua presença em voos de longo curso. Controlada pelo Grupo Abra desde outubro de 2024 — conglomerado que também reúne Gol e Avianca —, a empresa espanhola desempenhará papel central na retomada das operações intercontinentais da companhia brasileira.
Especializada no modelo conhecido como wet lease, a Wamos fornece não apenas a aeronave, mas também tripulação, manutenção e seguro operacional. A modalidade permite que companhias ampliem rapidamente sua oferta de voos sem a necessidade de incorporar imediatamente novas aeronaves à própria frota.
A estratégia foi adotada pela Gol diante da ausência de aviões de longo alcance em sua operação atual. O primeiro passo será a utilização de uma aeronave Airbus A330-200 da Wamos Air para inaugurar, em julho, a nova rota entre o Rio de Janeiro e Nova York. O equipamento partirá de Madri em 6 de julho para o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), de onde iniciará a operação comercial.
O A330-200 possui capacidade para 280 passageiros, distribuídos entre 20 assentos na classe executiva e 260 na econômica. A expectativa da companhia é utilizar aeronaves da parceira espanhola ao longo de toda a fase inicial de expansão internacional.
Além de Nova York, a Gol já sinalizou interesse em operar voos para Lisboa e Paris utilizando provisoriamente aeronaves da Wamos. A empresa também solicitou slots aeroportuários para Porto e Londres, embora as autorizações ainda dependam de disponibilidade operacional e aprovações regulatórias.
A transição para uma operação própria deverá ocorrer com a incorporação definitiva dos Airbus A330neo previstos no plano de renovação da frota. Parte dessas aeronaves está atualmente vinculada a operações da Azul e deverá ser transferida gradualmente para a companhia controlada pelo Grupo Abra.
A autorização concedida à Air Peace também representa um avanço relevante para a conectividade internacional brasileira. Considerada uma das maiores companhias aéreas privadas da Nigéria, a empresa foi fundada em 2013 e opera atualmente uma extensa malha doméstica, além de rotas regionais na África Ocidental e ligações para destinos no Oriente Médio.
A expectativa é que a companhia inaugure uma ligação direta entre Lagos e São Paulo, criando uma nova ponte aérea entre a América do Sul e a África. Atualmente, viagens entre Brasil e Nigéria exigem múltiplas conexões e podem levar quase dois dias para serem concluídas. Com a operação direta, o tempo de deslocamento deverá ser reduzido para aproximadamente sete horas.
O projeto é resultado de um esforço diplomático iniciado nos últimos anos entre os governos dos dois países. Em 2025, Brasil e Nigéria firmaram um Acordo Bilateral de Serviços Aéreos, criando as bases regulatórias para o desenvolvimento de novas rotas comerciais.
A aproximação ganhou impulso adicional após encontros entre autoridades dos dois países no segundo semestre do ano passado, quando foi formalizada a escolha da Air Peace como operadora da ligação direta.
A nova rota é vista como uma oportunidade para ampliar o intercâmbio comercial, turístico e empresarial entre as duas economias. A Nigéria é a maior economia da África em termos populacionais e um dos principais mercados consumidores do continente.
A Air Peace também vive um processo de expansão internacional. A companhia mantém pedidos de autorização para operar voos para Toronto e Nova York e estuda novas ligações para Manchester, no Reino Unido, e Guangzhou, na China. A entrada simultânea de duas novas operadoras estrangeiras reforça o movimento de ampliação da oferta internacional no mercado brasileiro, em um momento em que o setor aéreo busca recuperar capacidade, diversificar destinos e fortalecer conexões estratégicas com mercados da América do Norte, Europa e África.
