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Distribuidoras e Indústrias

Gás do Povo acirra disputa por botijões

Programa abriu uma disputa entre distribuidoras de GLP e a indústria siderúrgica e metalúrgica nacional
Agora RN
24/06/2026 | 05:19

O Programa Gás do Povo, criado pelo Governo Federal para garantir recargas gratuitas de gás de cozinha a famílias de baixa renda, abriu uma disputa entre distribuidoras de GLP e a indústria siderúrgica e metalúrgica nacional. O embate chegou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) após o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) solicitar a redução da tarifa de importação de botijões de 13 quilos, os mais utilizados nas residências brasileiras.

A entidade pede que a alíquota de importação, atualmente em 12,6%, seja zerada por 12 meses para uma cota de até 10 milhões de vasilhames. Segundo o Sindigás, a medida é necessária para atender ao aumento da demanda esperado com a expansão do programa social. O pedido foi apresentado com base no mecanismo de desabastecimento, instrumento que permite a redução temporária de tarifas quando a oferta interna é considerada insuficiente para suprir o mercado.

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Distribuidoras de GLP e indústrias siderúrgicas em atrito no Programa Gás do Povo - Foto: Ricardo Botelho / MME

A proposta provocou reação de fabricantes de botijões, fornecedores industriais e grandes grupos da siderurgia. Empresas como Mangels, Aratell, CSN, Usiminas, ArcelorMittal e Gerdau, além do Instituto Aço Brasil e entidades representativas dos trabalhadores, enviaram manifestações contrárias à Camex. O setor argumenta que não há falta de botijões no País e que a importação em larga escala pode substituir a produção nacional, afetando investimentos, empregos e a demanda por aço produzido no mercado interno.

Ao SBT News, o presidente do Sindigás, Sérgio Bandeira de Mello, afirmou que o pleito não tem como objetivo reduzir as compras realizadas junto à indústria brasileira, mas atender a um eventual pico de demanda gerado pelo Gás do Povo. A discussão ocorre em um momento de expansão dos programas de assistência energética e coloca em lados opostos dois segmentos que defendem interesses distintos: de um lado, as distribuidoras que buscam ampliar a oferta de vasilhames; de outro, a indústria nacional, que teme perda de competitividade diante da entrada de produtos importados, especialmente da China.

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