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Política

Jaques Wagner se afasta da liderança do governo no Senado após ser alvo da PF

Decisão foi tomada após reunião com Lula no Palácio da Alvorada
Redação
24/06/2026 | 18:14

O senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu licença do cargo de líder do governo no Senado, dias após ser incluído entre os alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

A decisão foi tomada após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada nesta quarta-feira (24) no Palácio da Alvorada. O encontro durou cerca de duas horas. Em publicação nas redes sociais, Wagner afirmou que o afastamento foi definido em comum acordo com o presidente.

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Jaques Wagner se afasta da liderança do governo no Senado após ser alvo da PF - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

“Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente @LulaOficial, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal”.

“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, escreveu Wagner.

Na última quinta-feira 18, endereços ligados ao senador em Salvador (BA) e Brasília foram alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito da operação conduzida pela Polícia Federal. A investigação aponta Wagner como “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais”.

Segundo a apuração, o senador é próximo do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, instituição que também foi liquidada pelo Banco Central. A Polícia Federal investiga se Wagner teria recebido pagamentos e benefícios em troca de apoio a medidas no Congresso que favoreceriam o Banco Master, como a chamada “Emenda Master”.

Há ainda suspeitas relacionadas à compra de um apartamento de luxo em Salvador e a repasses que somam R$ 3,5 milhões em nome de familiares do parlamentar. Wagner nega ter cometido irregularidades.

A operação também já teve como alvo outros parlamentares. Entre eles, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no qual a Polícia Federal afirma que Daniel Vorcaro oferecia “tratamento privilegiado” e “diferenciado” ao parlamentar, incluindo o pagamento de mais de R$ 400 mil em viagens internacionais.

De acordo com os investigadores, a relação entre Vorcaro e Ciro Nogueira incluiu o custeio de hospedagens em hotéis de alto padrão no exterior. As investigações seguem em andamento para apurar a extensão do esquema e a participação de agentes públicos.