Apesar de estar em queda, o desemprego ainda atinge mais de 10 milhões de brasileiros. Trata-se de um problema dramático da vida do País, que atenta contra a dignidade humana. Por causa da falta de renda, quando não conseguem arrumar um bico, famílias inteiras deixam de ter o básico para a sobrevivência e precisam apelar para a assistência do Estado ou a solidariedade das pessoas.
Além da fome, nada é mais urgente do que enfrentar esse problema. Candidatos que vão disputar as eleições deste ano têm a responsabilidade de propor caminhos para a possível ampliação da geração de emprego e renda. É preciso refletir sobre o que o Estado pode fazer (ou deixar de fazer) para propiciar que novos investimentos sejam realizados para demandar mão de obra.

Neste sentido, é lamentável constatar o nível das propostas apresentadas pelos candidatos ao Senado em entrevistas a este AGORA RN publicadas na edição de ontem. Pouco se aproveita do que defenderam Carlos Eduardo Alves (PDT), Freitas Júnior (PSOL) e Dário Barbosa (PSTU). Já Rogério Marinho (PL) e Rafael Motta (PSB) fizeram pior: nem retornaram aos contatos da reportagem.
Dos que apresentaram suas visões, a ideia que mais se aproxima da realidade é a de Carlos Eduardo. O ex-prefeito de Natal defende, como medida para modernizar e dinamizar a economia potiguar, a construção de um novo porto. A ideia é erguer um terminal moderno, que sirva para escoar produção de setores como a produção de petróleo e gás e a fruticultura.
De fato, o Rio Grande do Norte precisa de um novo porto. Mas, este é um projeto grandioso demais e que, portanto, ainda é uma possibilidade distante. Um porto, se começasse a ser erguido agora, só ficaria pronto daqui a uns cinco anos – para só depois começar a atrair os investimentos. Trata-se uma proposta para fortalecer a economia na próxima década. Importante, mas o Estado precisa de metas para a geração de emprego já, de maneira mais rápida.
O candidato Freitas Júnior defende a revogação da reforma trabalhista e a realização de uma reforma tributária como medidas para induzir a geração de emprego e renda. Ora, a reforma trabalhista pode até ser discutida, mas só se pode falar em direito trabalhista quando, primeiro, há emprego. O que se faz urgente são medidas econômicas para melhorar o ambiente econômico e, então, gerar emprego. A reforma tributária pode ajudar as empresas a diminuírem os custos de contratação, mas é preciso muito mais.
Sobre acabar com o teto de gastos, outra proposta de Freitas, trata-se de medida que precisaria vir acompanhada de outras ações, para o governo não virar um irresponsável fiscal.
Por fim, Dário Barbosa fala em taxar grandes fortunas, o que, por si só, não tem o condão de gerar empregos no País.
Todas propostas pobres e com baixo impacto em um problema urgente. Preocupante!