O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta segunda-feira 26 que pedirá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo 25 com 51,79% dos votos válidos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o candidato derrotado acusou o adversário de abuso de poder político e econômico, sem apresentar provas das irregularidades alegadas, e afirmou que organizará a oposição ao quarto mandato do petista.
Flávio obteve 59.826.041 votos, o equivalente a 48,21% dos votos válidos. Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79%, segundo o resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.

“Então eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu”, declarou. Na sequência, atribuiu às medidas do governo federal um desequilíbrio na disputa: “O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil”.
Ao mencionar o valor, o senador se referia ao conjunto de anúncios e medidas econômicas apresentados pelo governo Lula durante a campanha. Entre as iniciativas estavam o Prospera MEI, com perdão de dívidas federais, renegociação bancária e apoio a investimentos, e o envio ao Congresso de uma proposta de tarifa zero no transporte coletivo.
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A declaração anuncia uma iniciativa judicial, mas não confirma o protocolo da ação nem apresenta os fundamentos detalhados do pedido. Segundo aliados, Flávio desistiu de solicitar a anulação da eleição, como havia defendido logo depois da derrota, e passou a concentrar sua estratégia na tentativa de cassar a chapa vencedora.
Antes da gravação, o senador discutiu os próximos passos com aliados em Brasília, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP). Segundo interlocutores, o grupo acertou que Flávio permanecerá no Brasil e assumirá pessoalmente a articulação da direita.
“Para resistir ao caos, eu vou organizar a oposição. A gente fez a maioria no Senado e na Câmara. Foi uma vitória que vocês deram para o Brasil”, afirmou. A avaliação dos aliados é que a votação recebida lhe dá condições de manter influência sobre o campo conservador, especialmente no Congresso Nacional.
A manifestação ocorre em meio a divergências dentro do próprio campo político do senador. Rogério Marinho (PL-RN) e outros aliados haviam defendido o reconhecimento do resultado e um telefonema a Lula, mas a orientação foi rejeitada pela ala favorável à contestação imediata.
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Passaportes e investigação
No mesmo pronunciamento, Flávio informou ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes quando deixava uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. A determinação é do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em processo no qual o senador e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro.
Moraes determinou a entrega dos passaportes de outras nacionalidades e o cancelamento dos documentos brasileiros do senador, inclusive o diplomático. Flávio também está proibido de deixar o país.
“A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23/10 que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição, eu nunca falei isso”, afirmou o senador, apresentando sua versão sobre a fundamentação da medida.
Na sexta-feira 23, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro havia defendido, em entrevista a um podcast nos Estados Unidos, que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, declarou.
Flávio negou ter cogitado sair do Brasil e disse que cumprirá a ordem. “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar.”
O ex-candidato classificou a medida como tentativa de intimidação e questionou se a determinação teria sido adotada caso ele tivesse vencido. Ao relatar o episódio, usou a expressão “polícia federal do Lula”. A corporação, porém, é um órgão de Estado e cumpre ordens judiciais independentemente do governo de turno.
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Contestação à derrota
O anúncio do pedido de cassação ocorre depois de Flávio se recusar a reconhecer o resultado na noite de domingo. Na ocasião, questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar a votação até as 19h e anunciou que buscaria a anulação do pleito.
A principal crítica ao processo eleitoral foi dirigida à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação da votação até as 19h em todo o país. A medida foi tomada após relatos de dificuldades no transporte de eleitores e alcançou as seções que ainda permaneciam abertas.
Flávio afirmou que a mudança ocorreu quando parte das urnas já havia sido encerrada e disse que o impacto precisa ser esclarecido. O senador também citou o fato de Zanin ter atuado como advogado de Lula antes de ser indicado ao STF.
Dados dos registros das urnas mostram, contudo, que os votos computados depois das 17h representaram cerca de 0,027% do total do segundo turno. O volume foi muito inferior à vantagem de mais de 4,4 milhões de votos obtida por Lula.
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“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou após a confirmação da vitória de Lula.
A campanha do próprio senador também havia solicitado ampliação do horário em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, por dificuldades de deslocamento causadas pelo mau tempo, embora com abrangência diferente da decisão de Zanin.
Após o resultado, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, afirmou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.
Ao encerrar o vídeo, Flávio agradeceu aos quase 60 milhões de eleitores que votaram nele, pediu aos apoiadores que continuem mobilizados e afirmou que seguirá liderando a oposição. O TSE proclamou o resultado do segundo turno e declarou Lula reeleito para um quarto mandato presidencial.
*Atualizado em 26/10/2026 às 22h21