O mercado de armazenamento de energia reúne empresas e investidores em Natal nesta quarta-feira 21 e quinta-feira 22, com uma discussão que interessa à economia potiguar: como transformar a expansão das tecnologias de baterias em investimentos e oportunidades para fornecedores. A sétima edição do Energy Storage Brasil tem programação na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), em Lagoa Nova.
O encontro ocorre em uma semana de avanço na preparação dos leilões nacionais do setor. Na segunda-feira 19, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou a metodologia para definir premissas e parâmetros do Custo Marginal de Referência dos Leilões de Reserva de Capacidade de Armazenamento de 2026, previstos para dezembro. O estudo subsidiará a recomendação da empresa ao Ministério de Minas e Energia sobre o preço-teto.

Mercado envolve equipamentos, engenharia e gestão
A cadeia econômica do armazenamento vai além da aquisição das baterias. Relatório técnico da EPE sobre microrredes identifica componentes como conversores de energia, transformadores, contêineres, climatização e sistemas de gestão, além de serviços de engenharia, construção e licenciamento. São atividades que ajudam a dimensionar os segmentos que podem atender à implantação dos empreendimentos.
Para empresas potiguares, essa estrutura aponta possibilidades de atuação no fornecimento de serviços e na integração dos sistemas. A participação local, entretanto, dependerá dos projetos contratados, das exigências técnicas dos compradores e da capacidade dos fornecedores de atender aos empreendimentos.
Na programação divulgada para o encontro de Natal, estão temas como a combinação de geração solar com baterias, automação, monitoramento e gestão dos sistemas. O debate aproxima o armazenamento das necessidades de empresas e instalações que buscam maior segurança no abastecimento e controle sobre o uso da eletricidade.
O que as baterias podem fazer
Os sistemas armazenam energia para utilização posterior. Segundo estudo técnico da EPE, suas aplicações podem incluir atendimento à demanda diante de variações de geração e consumo, apoio à operação do sistema elétrico e soluções para restrições locais da rede.
A utilidade econômica depende da aplicação. A EPE destaca que diferentes necessidades podem ser atendidas por alternativas distintas e que combinar serviços de um mesmo sistema pode melhorar seu aproveitamento. Isso exige avaliar cada empreendimento, em vez de pressupor que a instalação de baterias produzirá a mesma economia para todos os consumidores.
Investimento depende da conta completa
O preço das baterias é apenas uma parte do custo. Equipamentos auxiliares, obras, conexão e operação também entram na avaliação financeira. A metodologia publicada pela EPE nesta semana considera os investimentos necessários e os custos de operação durante o período contratual.
Para o RN, o interesse está ligado ao aproveitamento da geração renovável e à atração de atividades econômicas associadas. A FIERN apresenta o armazenamento como uma das frentes de negócios da transição energética, ao lado da expansão da infraestrutura digital. A entidade também ressalta a necessidade de avançar conjuntamente em armazenamento, rede elétrica e atração de consumidores.
Como mostrou o Agora RN, o Estado já discutiu parâmetros de licenciamento ambiental para sistemas de armazenamento em baterias. Essa preparação integra o ambiente necessário à análise dos empreendimentos.
Cadastro ainda não significa obra contratada
O interesse nacional pelo setor aparece nos números da EPE. Em agosto, a empresa informou o cadastramento de 6.091 projetos, somando 296.807 megawatts de potência, para os leilões de armazenamento de 2026.
O volume representa propostas cadastradas em todo o Brasil. A própria EPE esclarece que esses empreendimentos precisam passar por análise e habilitação técnica antes das etapas seguintes. Os números, portanto, não correspondem a obras contratadas nem permitem atribuir investimentos ao Rio Grande do Norte.
Para dimensionar o mercado potiguar, ainda será necessário identificar quais projetos estão previstos para o Estado, seus valores, localização, cronograma e demanda por fornecedores. As fontes consultadas para este texto não apresentam uma relação consolidada desses empreendimentos no RN.
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