O Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Norte (PT-RN) repudiou nesta segunda-feira 19 o confronto na UFRN entre grupos de direita e de esquerda, ocorrido no Campus Central, em Natal, e manifestou solidariedade aos estudantes feridos. Em nota assinada por Samanda Alves, presidente estadual da sigla e senadora eleita, o partido cobrou a apuração dos fatos e a identificação dos responsáveis pelas agressões.
O PT-RN afirmou que a mobilização intitulada “UFRN anti-Lula” ocorreu em local não autorizado, com carro de som e música em volume elevado nas proximidades das salas de aula. Segundo o partido, o ato interrompeu atividades acadêmicas e perturbou a rotina de estudantes e professores. A UFRN ainda não havia confirmado essas alegações até a publicação desta reportagem.

PT-RN critica presença de parlamentares
Na nota, o PT-RN classificou como agravante a participação de parlamentares na manifestação. O texto afirma que representantes eleitos devem respeitar as regras das instituições e agir com responsabilidade para preservar a convivência democrática e a segurança da comunidade universitária.
“A divergência política faz parte da democracia. Agressões, intimidações e qualquer forma de violência são inaceitáveis”, declarou o partido. A legenda também defendeu que a universidade pública não seja usada como palanque eleitoral nem tenha as atividades interrompidas por manifestações políticas.
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Confronto na UFRN teve versões divergentes
As mobilizações de direita e de esquerda foram marcadas para o mesmo local e horário nas imediações do Centro de Tecnologia e do Setor de Aulas IV. O ato “UFRN anti-Lula” começou por volta das 16h e reuniu carro de som, faixas e o boneco inflável Pixuleco, que retrata o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidiário. Estudantes ligados à esquerda organizaram um contraprotesto.
Participaram da primeira mobilização o deputado federal General Girão (PL), a vereadora de Natal e deputada estadual eleita Camila Araújo (PL), o presidente estadual do Novo, Renato Cunha Lima, e Paula Castelo Branco, apontada como liderança do movimento Direita UFRN.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram discussões, empurrões, socos e chutes de parte a parte. As imagens registram apenas trechos da confusão e não permitem determinar quem iniciou as agressões.
Henrique Neiva, estudante do 9º período de Jornalismo, afirmou que foi agredido por integrantes do grupo bolsonarista e teve um dente quebrado. Também houve relato de outro estudante ligado à esquerda com os óculos quebrados.
Fernando Neto, estudante de Engenharia Agronômica, apresentou uma versão diferente. Ele afirmou que integrantes do grupo de esquerda tentaram impedir a manifestação, lançaram pedras e cocos e perfuraram o Pixuleco com uma faca. Uma participante do ato também alegou que um assessor de Girão ficou com o braço machucado. As acusações de ambos os lados ainda não haviam sido confirmadas pelas forças de segurança.
O professor de Serviço Social Henrique Wellen disse que dava aula quando ouviu o barulho da mobilização. Segundo ele, os dois grupos se exaltaram e houve agressões pontuais. O docente afirmou que tentou mediar o conflito e que o efetivo da vigilância universitária era insuficiente para controlar a situação.
Girão acusa segurança da UFRN
Após o confronto na UFRN, General Girão acusou a segurança da UFRN de omissão e afirmou que entregará ao reitor um documento sobre a atuação dos agentes. “A polícia do campus foi fraca, omissa e talvez até conivente”, declarou o deputado em entrevista a uma rádio.
Girão disse que não organizou o ato e que foi convidado por estudantes. Também acusou um manifestante de perfurar o Pixuleco e furtar um telefone celular, além de afirmar que pessoas lançaram pedras contra o grupo. As alegações não haviam sido confirmadas pelos órgãos responsáveis.
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TRE recebeu denúncia pelo Pardal
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) informou ao Agora RN que recebeu, pelo aplicativo Pardal, uma denúncia de possível propaganda eleitoral irregular relacionada às mobilizações. Agentes da Justiça Eleitoral estiveram no campus acompanhados pela Polícia Militar.
O juiz Cleanto Pantaleão, da 3ª Zona Eleitoral e responsável pelo poder de polícia nas Eleições 2026, afirmou que a livre manifestação política é protegida nas universidades. Ele ressaltou, porém, que a garantia não autoriza irrestritamente a propaganda eleitoral em bens públicos e que a fiscalização deve se limitar a irregularidades concretas, sem censura prévia.
A Polícia Militar informou que prestou apoio no local, mas que ocorrências dentro da UFRN ficam sob responsabilidade das instituições federais de segurança pública e da segurança privada do campus. Até a publicação desta reportagem, não havia informações oficiais sobre prisões ou registros de ocorrência.
A nota do PT-RN sobre o confronto na UFRN é assinada por Samanda Alves, presidente estadual do partido e senadora eleita. O partido pediu “rigorosa apuração dos fatos”, identificação dos responsáveis e adoção das medidas cabíveis. Também afirmou que estudantes, professores e servidores têm direito a exercer suas atividades com segurança.