O primeiro debate do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) repercutiu na imprensa internacional como um confronto marcado por ataques pessoais, acusações de corrupção e pouco espaço para propostas. Jornais da Alemanha, França, Espanha, Itália e Portugal destacaram o tom elevado da discussão realizada pela Band na noite deste domingo 18.
Apesar das diferenças na avaliação do desempenho dos candidatos, a cobertura estrangeira convergiu em um ponto: o encontro ofereceu poucas respostas sobre os planos de governo para os próximos quatro anos. O segundo turno será realizado no domingo 25.

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Jornal alemão vê debate de “baixo nível”
O alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung classificou o debate como de “baixo nível” e “sem conteúdo”. Segundo o jornal, os candidatos concentraram parte expressiva do tempo em acusações mútuas de corrupção, enquanto os eleitores receberam poucas informações sobre como Lula ou Flávio pretendem governar o país.
O veículo também observou que Flávio evitou respostas claras a diversas perguntas feitas por Lula. A avaliação foi reproduzida no levantamento da Deutsche Welle sobre a repercussão mundial do encontro.

Le Monde destaca troca “caótica”
O francês Le Monde descreveu o confronto como uma troca “caótica”, marcada por ataques pessoais e acusações entre os candidatos. O jornal destacou que Lula e Flávio se chamaram de mentirosos, retomaram escândalos envolvendo familiares e discutiram corrupção, segurança pública e economia.
Na leitura do diário, Flávio explorou temas sensíveis ao governo, como custo de vida e criminalidade. Lula respondeu ao cobrar explicações sobre a aproximação do adversário com o presidente da Argentina, Javier Milei, e sobre a possibilidade de reproduzir no Brasil cortes de gastos adotados pelo governo argentino. Flávio mudou de assunto e não apresentou resposta direta.

El País vê Lula tecnocrata e Flávio provocador
O espanhol El País definiu o encontro como um confronto de alta tensão entre um “Lula tecnocrata” e um “Bolsonaro provocador”. O jornal avaliou que o senador partiu para o ataque desde o primeiro minuto, enquanto o presidente começou desconfortável e melhorou ao longo do programa.
A publicação chamou atenção para a movimentação de Flávio atrás de Lula e para as tentativas de aparecer no enquadramento do adversário. O comportamento foi comparado à estratégia utilizada por Donald Trump contra Hillary Clinton em um debate presidencial dos Estados Unidos em 2016.
O El País também registrou a falta de respostas para perguntas objetivas. Entre os exemplos citados está a cobrança sobre os R$ 134 milhões que teriam sido buscados para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O senador confirmou que a negociação envolvia uma produção audiovisual, mas não esclareceu a destinação dos valores.

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El Mundo aponta domínio de cena de Flávio
O também espanhol El Mundo avaliou que Flávio demonstrou maior domínio do espaço do estúdio e conseguiu tirar Lula do sério em diferentes momentos. Para o jornal, o senador chegou mais preparado para explorar reações, interrupções e gestos capazes de circular nas redes sociais.
O diário afirmou que Lula se deixou arrastar por provocações e teve dificuldade para organizar algumas respostas. A análise, porém, concentrou-se no desempenho televisivo e não apontou um vencedor eleitoral.
Corriere della Sera fala em “golpes baixos”
Na Itália, o Corriere della Sera descreveu o confronto como um duelo de insultos e “golpes baixos”. O jornal ressaltou que os dois candidatos buscaram produzir recortes para as redes sociais e transformaram o debate em uma disputa paralela por imagens e frases de efeito.
A cobertura italiana destacou que o presidente gastou parte do tempo defendendo os resultados de seus governos e enfrentou dificuldades diante das acusações relacionadas ao filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Público registra poucas propostas
Em Portugal, o jornal Público considerou o debate pouco esclarecedor e repleto de provocações e acusações. A publicação ressaltou que o primeiro encontro direto entre os candidatos ocorreu apenas uma semana antes da votação.

A Associated Press chegou a conclusão semelhante. A agência norte-americana descreveu uma transmissão tensa, com trocas de acusações e insultos, falas simultâneas e pouca discussão sobre os planos para o futuro. O noticiário da Al Jazeera também chamou o embate de caótico e destacou as acusações de corrupção, os escândalos retomados pelos candidatos e a discussão sobre segurança e saúde.


Cobertura relaciona tom à disputa apertada
As reportagens estrangeiras relacionaram o tom do debate à polarização da eleição brasileira. Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença entre os dois foi de aproximadamente 2,3 milhões de votos.
Os candidatos disputam agora os eleitores que votaram em outros concorrentes, os votos em branco e nulos e uma parcela dos 33 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas. Por isso, a capacidade de apresentar propostas e reduzir a rejeição deverá ter peso na última semana de campanha.
O próximo debate presidencial está previsto para sexta-feira 23, às 21h20, na TV Globo. A votação do segundo turno será no domingo 25.
Fontes: Deutsche Welle, Associated Press, Al Jazeera, El País, Frankfurter Allgemeine Zeitung, El Mundo, Corriere della Sera, Le Monde e Público.