BUSCAR
BUSCAR
Confronto na UFRN

Confronto entre direita e esquerda na UFRN tem agressões e Pixuleco rasgado

Grupos de direita e esquerda marcaram mobilizações para o mesmo local e horário no Campus Central; versões divergem sobre o início das agressões
Agora RN
19/10/2026 | 19:01

*Em atualização

Manifestações de grupos de direita e de esquerda marcadas para o mesmo local e horário terminaram em confronto na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) na tarde desta segunda-feira 19. A confusão ocorreu no Setor IV, em frente à Escola de Ciências e Tecnologia (ECT), no Campus Central, em Natal.

Manifestantes de direita e esquerda frente a frente durante confronto na UFRN
Grupos de direita e esquerda se confrontaram durante manifestações no Campus Central da UFRN — Foto: Reprodução

A vereadora de Natal Camila Araújo (PL) afirmou que um homem com uma faca rasgou o boneco inflável Pixuleco, uma caricatura do presidente Lula, durante a confusão. A alegação ainda não havia sido confirmada pelas forças de segurança até a atualização desta matéria.

Os dois atos começaram por volta das 16h. Vídeos publicados nas redes sociais mostram discussões, empurrões e agressões durante o encontro dos manifestantes. As imagens registram apenas trechos da confusão e não permitem determinar quem iniciou a violência.

Atos foram marcados para o mesmo local e horário

Uma das mobilizações protestava contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto a outra reunia apoiadores do petista. Antes do confronto, o deputado federal General Girão (PL-RN) defendeu a presença de diferentes correntes políticas na universidade. “Estamos demonstrando aqui que o espaço é de todos […] Nós precisamos do cérebro dessas pessoas aqui para mudarmos o Brasil e não para afundarmos o Brasil”, afirmou o deputado.

Imagens feitas no local mostram bandeiras, faixas, um boneco inflável e equipamentos de som. Os grupos passaram a responder às palavras de ordem um do outro antes do início das agressões.

Relatos e versões sobre o confronto

Um áudio divulgado depois do episódio relata troca de socos. A pessoa que fez o relato não foi identificada, e o conteúdo não esclarece a sequência que levou ao confronto. Também circularam informações sobre lançamento de pedras e possível subtração de um telefone celular, ainda sem confirmação das autoridades.

Participantes de direita afirmam que o grupo de esquerda tentou interromper a mobilização e iniciou as agressões. Participantes de esquerda sustentam que o outro grupo provocou estudantes e agrediu um aluno. Também houve acusação de possível infração à legislação eleitoral dentro do campus. As versões ainda não foram confirmadas pelos órgãos responsáveis pela apuração.

O que diz Camila Araújo

“Foi uma ação tranquila, pacífica e ordeira”, afirmou Camila, ao descrever a mobilização da qual participou. Ela disse ter sido alvo de insultos e acusou militantes de esquerda de hostilizar participantes do ato.

A vereadora declarou repudiar o que chamou de “política de ódio, de ataque, de mentiras e de intimidação”.

PM prestou apoio no campus

A Polícia Militar do Rio Grande do Norte (PMRN) informou que ocorrências na área da UFRN são de responsabilidade das instituições federais de segurança pública e da equipe de segurança privada do campus. Segundo a corporação, a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a segurança da universidade atuam nessa área.

A PMRN disse que prestou apoio no local, acompanhada por agentes do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), mas que a ocorrência deve ficar sob responsabilidade dos órgãos federais. Até a atualização desta matéria, a UFRN não havia se manifestado e não havia informações confirmadas sobre atendimento médico, prisões ou registro de ocorrência.

TRE recebeu denúncia pelo Pardal

O TRE-RN informou à reportagem que recebeu, pelo aplicativo Pardal, uma denúncia de propaganda eleitoral irregular relacionada às mobilizações. Segundo o tribunal, agentes da Justiça Eleitoral estiveram no campus com a Polícia Militar.

Cleanto Pantaleão, juiz da 3ª Zona Eleitoral e responsável pelo poder de polícia nas Eleições 2026, informou que o Supremo Tribunal Federal (STF) assegura a livre manifestação de pensamento político dentro de universidades públicas e privadas. A proteção inclui debates, reuniões e manifestações de apoio ou crítica a candidaturas, em respeito à liberdade de expressão e à autonomia universitária.

“Essa proteção, contudo, não autoriza irrestritamente a realização de propaganda eleitoral”, afirmou Cleanto. Segundo o magistrado, a manifestação espontânea no ambiente universitário é protegida quando não recebe financiamento direto ou indireto de candidatos ou partidos e não compromete os serviços da instituição. Continuam proibidas as formas irregulares de propaganda em bens públicos e de uso comum.

O juiz declarou que a fiscalização eleitoral deve se limitar à repressão de irregularidades concretas, sem censura prévia ou interferência indevida nas atividades acadêmicas. A análise considera a decisão do STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 548, a Lei das Eleições e a Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).