Internado desde que nasceu em uma unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Rio Grande, em Natal, o pequeno Thomas, de 1 ano e 8 meses, recebeu alta hospitalar nesta segunda-feira 19. Natural de Lajes, na região Central do Rio Grande do Norte, o menino nasceu com uma cardiopatia congênita e precisou de acompanhamento médico desde o nascimento. A saída do hospital ocorreu após uma decisão judicial garantir à família o atendimento domiciliar conhecido como home care pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Conhecido como Tom Tom, o menino deixou a unidade acompanhado da mãe, Tatiely Shirlaine Nunes da Silva, e recebeu uma homenagem dos profissionais que participaram de seu tratamento. Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e integrantes da equipe multiprofissional formaram um corredor com cartazes, balões e música para celebrar a alta. A despedida também foi marcada pelo toque de um sino, utilizado pelo hospital para comemorar a saída de pacientes.

A mãe de Thomas acompanhou a homenagem e falou sobre o período de internação e a expectativa de levar o filho para casa pela primeira vez.
“Com certeza, muito difícil, mas sempre com a fé e esperança de que um dia sabia que essa hora ia chegar”, afirmou a mãe do menino.
Apesar da expectativa pela nova rotina, ela relatou que a mudança também provoca preocupação com os cuidados que o filho continuará exigindo.
“Ah, então, uma sensação de esperança, com certeza, e também com um pouquinho de medo, mas é assim mesmo”, declarou.
O atendimento domiciliar foi autorizado pela Justiça após uma solicitação da família. Com o serviço, Thomas poderá continuar recebendo assistência médica e acompanhamento de profissionais de saúde fora do hospital.
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“Eu só agradeço a Deus por ter permitido a gente ter esse home care em casa para ter os cuidados com ele”, disse a mãe.

Menino conheceu o mar em março
A história de Thomas ganhou repercussão em março deste ano, quando o menino deixou a UTI pediátrica pela primeira vez para conhecer o mar. O passeio aconteceu no dia 27 daquele mês, na Praia do Forte, em Natal, após um pedido da mãe à equipe do Hospital Rio Grande.
Na ocasião, o menino Thomas tinha 1 ano e havia passado toda a vida dentro do ambiente hospitalar. Durante a visita, teve seu primeiro contato com a areia, a brisa do mar e o ambiente externo.
Para realizar o passeio, médicos, enfermeiros e outros profissionais organizaram uma estrutura de atendimento que permitiu o deslocamento da criança com segurança. A equipe multiprofissional acompanhou todo o trajeto e permaneceu ao lado do menino durante a visita à praia.
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A iniciativa fez parte das ações de humanização do atendimento hospitalar, voltadas a proporcionar experiências fora da rotina de internação para pacientes que permanecem longos períodos sob cuidados médicos.
Na época, a família ainda aguardava uma decisão judicial sobre a disponibilização do serviço de home care pelo SUS. Quase sete meses depois do passeio, a autorização para o atendimento domiciliar permitiu que Thomas deixasse definitivamente a unidade hospitalar.
Tratamento exigiu cirurgias e acompanhamento contínuo
De acordo com o diretor do Hospital Rio Grande, Luiz Roberto Fonseca, o tratamento de Thomas envolveu diferentes procedimentos em razão da complexidade da cardiopatia congênita. O menino passou por várias cirurgias e precisou de traqueostomia e gastrostomia, além de acompanhamento contínuo na UTI pediátrica.
“Era difícil, foram várias cirurgias, foi um tempo muito longo de recuperação, traqueostomias, gastrostomias, processos que requereram muito da equipe, mas requereram muito dele, muita paciência dele, muita paciência da família, muita fé da família”, relatou o médico.
Durante a despedida, o diretor participou da homenagem organizada pelos funcionários e acompanhou a saída do menino. Para ele, a alta representa a possibilidade de concluir outra etapa da recuperação em ambiente familiar.
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“Quando ele vai daqui pra casa agora, ser cuidado em casa, poder ter o convívio da família dele, a família dele começar a voltar para uma rotina normal, e esse processo final de recuperação dele acontecer em domicílio, isso é uma vitória pra gente”, afirmou.
Após mais de um ano e oito meses de internação, o pequeno Thomas inicia uma nova rotina ao lado da família, com continuidade dos cuidados médicos por meio do atendimento domiciliar garantido pela Justiça.