Para fiscalizar as urnas na votação de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, vai recrutar apoiadores. O anúncio foi feito na quinta-feira 17. A estratégia repete a que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), usou na eleição de 2022.
Segundo Flávio, a campanha vai colocar no ar, em breve, um site para cadastrar os interessados. Os voluntários vão passar por três etapas, seleção, credenciamento e treinamento, antes de serem chamados para trabalhar nos locais de votação. “Vai ter um rápido ensinamento de como é que faz para fazer a fiscalização das urnas, em especial no momento em que a urna fechou”, disse na transmissão semanal que faz pela internet.

Em julho, Flávio chegou a pôr em dúvida as urnas eletrônicas e, depois, negou que tivesse atacado o sistema. Nesta quinta, não mencionou fraude na votação eletrônica. Disse que os fiscais vão atuar para evitar irregularidades, como alguém votar no lugar de outra pessoa.
Ele explicou o objetivo. “A gente tem que ter gente nossa pelo Brasil inteiro fiscalizando para evitar que pessoas mal-intencionadas votem no lugar de outras. Que façam alguns tipos de atitudes ilegais como essas aí”, declarou o candidato.
Há quatro anos, na disputa presidencial de 2022, Jair Bolsonaro tinha feito o mesmo: criou uma plataforma na internet para cadastrar os apoiadores que quisessem fiscalizar a votação. O então presidente questionou várias vezes o sistema eletrônico e tentou aprovar no Congresso, em 2021, a volta do voto impresso.
Depois da derrota naquela eleição, o PL pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anulasse os votos do segundo turno registrados em alguns modelos de urna, alegando que os equipamentos tinham “problemas crônicos de desconformidade irreparável no seu funcionamento”. O episódio acabou citado no processo da trama golpista, que terminou em 2025 com a condenação de Jair Bolsonaro à prisão.
Ainda na live semanal, o candidato pediu o chamado voto útil, quando o eleitor abandona seu preferido para apoiar quem tem mais chance, e defendeu liquidar a eleição já no primeiro turno. Ele também relacionou o próprio desempenho nas pesquisas de intenção de voto à queda dos juros futuros, taxas negociadas no mercado financeiro, e disse que uma vitória teria efeito sobre financiamentos e empréstimos.
“O simples fato de Flávio Bolsonaro estar na frente das pesquisas, gente, o juro futuro já começa a cair. Qual é a consequência disso? Quando a taxa de juros cai, a taxa que atualiza a sua dívida, o financiamento que você pegou, o empréstimo que você fez, ela já começa a cair a partir do mês que vem também”, disse.