Vasco e Flamengo podem fazer o próximo clássico longe do Maracanã. A diretoria vascaína estuda mudar o local do jogo do returno do Brasileirão, que está marcado para o dia 28 de outubro. A ideia é discutida internamente, ainda sem decisão, por causa do impasse sobre o uso do estádio nos jogos da Copa do Brasil e da Sul-Americana. São Januário, o estádio do próprio Vasco, e até Manaus, no Amazonas, aparecem como opções.
Se trocar de estádio, o Vasco também pensa em abandonar a divisão de público que valeu no primeiro turno do campeonato. Uma das hipóteses em estudo pela diretoria é reservar 90% dos ingressos aos vascaínos e apenas 10% aos flamenguistas, no lugar da divisão prevista no acordo firmado entre as diretorias no ano passado.

O impasse cresceu depois que o consórcio que administra o Maracanã, estádio que pertence ao governo do Rio de Janeiro, negou ao Vasco o uso do campo para o jogo com o Vitória, pela Copa do Brasil. Também está pendente o pedido para usar o estádio contra o Palmeiras, na semifinal do mesmo torneio. Pela Sul-Americana, os dirigentes pretendem solicitar o Maracanã para o confronto com o Boca Juniors, também pela semifinal, e pensam em ir à Justiça se receberem nova negativa.
No centro da briga está um memorando de entendimento elaborado no ano passado. Flamengo e Fluminense assinaram o papel; o consórcio que administra o estádio, não. Sem essa assinatura, o documento perdeu força como garantia dos jogos vascaínos no Maracanã. O próprio consórcio usou esse argumento ao responder à Justiça quando o clube de São Januário tentou levar o jogo com o Vitória para lá. Na mesma resposta, também pesaram a falta de prazo para o pedido e as condições do gramado do estádio.
Do lado vascaíno, o clube sustenta ter uma prova, que atribui ao ex-CEO Carlos Amodeo, de que o consórcio chegou a prometer assinar o memorando, o que asseguraria ao clube um pacote de partidas no estádio nas temporadas de 2025 e 2026.
O documento previa ainda regras para os clássicos entre Vasco e Flamengo pelo Brasileiro. Pelo texto, os jogos seriam sempre no Maracanã, com torcida dividida meio a meio, e o mandante de cada partida ficaria responsável pela venda dos ingressos.
No primeiro turno, com o Flamengo como mandante, o rubro-negro cumpriu o combinado e cedeu o setor Sul do estádio aos vascaínos. No jogo de 28 de outubro, com os papéis invertidos, o memorando que só parte assinou manda o Vasco reservar o setor Norte à torcida rubro-negra e repartir a bilheteria meio a meio.
A diretoria vascaína, porém, faz o raciocínio inverso: se o entendimento não serve para garantir os jogos do clube no Maracanã, também não precisaria ser respeitado no clássico do Brasileiro. Paralelamente à briga pelos jogos das duas copas, o Vasco pretende ir à Justiça para tentar impugnar a licitação do Maracanã.