O Flamengo na Libertadores segue vivo e está na semifinal, e o nome da noite foi Arrascaeta, de quem o time dependeu para avançar. O uruguaio começou no banco, entrou no segundo tempo e fez o gol que deixou o placar em 1 a 1 contra o Independiente del Valle, na quinta-feira 17, no Maracanã. Como tinha vencido a ida por 2 a 0, o time carioca fechou o confronto com 3 a 1 no agregado. De quebra, com esse gol, o camisa 10 chegou a 14 gols pelo clube na competição e ficou a dois de Zico, que marcou 16.
O gol decisivo veio num momento em que a titularidade de Arrascaeta estava em discussão entre torcedores e comentaristas. O meia vinha rendendo abaixo do que mostrou em outras fases da temporada, e Lucas Paquetá, que usa a camisa 11, ganhou espaço no time. Leonardo Jardim escalou Paquetá como titular contra o Del Valle e deixou o uruguaio no banco, mas a escolha não evitou que o Flamengo saísse atrás no placar.

Arrascaeta só entrou em campo na etapa final, com o time perdendo por 1 a 0 e o placar agregado apertado. O cenário piorou ainda mais pouco depois, com a expulsão do volante Jorginho, que deixou o Flamengo com dez jogadores em campo. Mesmo com um a menos, o uruguaio aproveitou uma falha do goleiro Quintana, do time equatoriano, e empatou de cabeça, garantindo a vaga. O lance se soma a uma longa lista de partidas eliminatórias em que o uruguaio apareceu na hora certa desde que chegou ao clube carioca.
Somando os gols pelo Flamengo aos que marcou quando defendia o Cruzeiro, antes de chegar à Gávea, Arrascaeta tem 19 na Libertadores. Pelo clube carioca, ele encosta em Zico, maior ídolo da história rubro-negra, que marcou 16 vezes pelo Flamengo no torneio continental.
Depois do jogo, o técnico português Leonardo Jardim explicou por que começou com o camisa 10 entre os reservas: a sequência de partidas e a necessidade de controlar o desgaste físico do jogador. Com a expulsão de Jorginho, que desmontou o meio-campo, Arrascaeta passou ainda a atuar numa função diferente da habitual, a de falso 9, o atacante que recua para armar o jogo.
O treinador brincou com a própria escolha. “O Arrasca ia nos dar mais controle de bola. Depois das coisas acontecerem é fácil ser treinador (risos). Fiquei feliz de ter o Arrasca para decidir as coisas no segundo tempo. Temos jogos de três em três dias. Já disse que ele é o jogador excepcional dessa equipe, mas que tem desgaste pela intensidade. Eu às vezes tenho que fazer a gestão do elenco para ter o melhor Arrasca. Nós ficamos com o Arrasca de falso 9 (depois da expulsão do Jorginho) e empatamos o jogo”, disse o treinador rubro-negro.
Mesmo com a classificação garantida, Arrascaeta deixou o Maracanã reclamando do gramado, um problema que o time vem enfrentando há semanas. Segundo ele, as condições do campo atrapalham diretamente o jeito de jogar do Flamengo, um time que depende de toque de bola, sobretudo na circulação e na velocidade dos passes.
“A gente sabe que o time deles tem uma qualidade boa, mas não pode permitir que eles venham aqui jogar como aconteceu. Tem que se impor. Para isso, a gente precisa de um bom campo também. A gente vem sofrendo muito nesses últimos jogos, o campo está cada vez pior. Cada vez mais difícil controlar a bola. É tentar jogar rápido. Se quisermos ser campeões temos que procurar uma solução. Não pode permitir com o time que a gente tem ter um campo desse”, afirmou.
O meia voltou ao tema ao falar das dificuldades que o time enfrentou nas partidas recentes em casa. “Estamos sofrendo há algum tempo com o gramado do Maracanã. Para o estilo de jogo que temos, atrapalha muito. É mais lento, perdemos mais bolas do que deveríamos, os passes que parecem simples não saem. Mas queremos ser campeões. A gente tem muitas coisas que precisamos melhorar de algum jeito. Para ser campeões temos que dar nosso melhor”, completou.
Com o empate, o Flamengo chega à oitava semifinal de Libertadores da sua história e à quinta nos últimos oito anos, sequência que mostra a regularidade recente do clube no torneio. O adversário será o argentino Estudiantes, que eliminou o Corinthians na véspera. Os dois jogos estão marcados para outubro, depois da Super Data Fifa, a pausa do calendário para os jogos das seleções.
Flamengo e Estudiantes já se cruzaram nesta edição do torneio, porque dividiram o mesmo grupo na primeira fase. No Maracanã, o Flamengo venceu por 1 a 0; na Argentina, os dois empataram por 1 a 1. Agora, o reencontro vale uma vaga na decisão, marcada para 28 de novembro.