O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou ser amigo de Daniel Vorcaro e disse não haver motivo para deixar as investigações sobre o Banco Master. Num documento de 30 páginas enviado ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), ele também se posicionou contra a abertura de investigação criminal sobre a própria conduta.
“Não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado”, escreveu o procurador-geral. O caso chegou ao Conselho Superior depois que mensagens achadas no celular do banqueiro levantaram a suspeita de proximidade entre os dois.

Segundo Gonet, houve apenas um encontro com Vorcaro, num evento jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. Ele relatou ainda um cumprimento rápido pelo telefone, em março de 2025, numa ligação feita pelo advogado Ciro Soares. Em nenhum desses contatos, afirma, se falou de trabalho ou da apuração sobre o banco.
Gonet declarou também que mensagens como “saudade de você” e “você é uma máquina” tinham Ciro Soares como destinatário, e não Vorcaro. Já sobre a frase “na torcida por vocês”, argumentou que não responde pela forma como terceiros reproduziram falas dele.
Ao tratar da própria atuação na Operação Compliance Zero, que investigou o banco, Gonet afirmou ter agido de maneira “isenta e técnica”. Para ele, as referências ao nome “Paulo” nas anotações de Vorcaro não mostram interferência: indicam, ao contrário, que as tentativas do banqueiro de conseguir informação ou ajuda não deram em nada.
O chefe do Ministério Público Federal destacou ainda que o relatório da polícia não lhe atribuiu crime algum e sustentou que a simples menção feita por um investigado não basta para caracterizar suspeição. No fim, afirmou estar “juridicamente plenamente apto” a continuar atuando nos procedimentos que envolvem o Banco Master e Vorcaro.