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Eleições 2026

Campanha de Flávio Bolsonaro adota o governo Milei como referência e prepara “revogaço” de normas

Coordenadora econômica Daniella Marques cita redução de burocracia e de impostos; equipe mapeou mais de mil regras para revogar e avalia privatizar mais de 20 estatais
Agora RN
15/09/2026 | 22:26

O governo de Javier Milei, na Argentina, virou uma das principais referências econômicas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Quem diz é a coordenadora econômica do candidato, Daniella Marques. “Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos”, declarou a ex-presidente da Caixa em evento do grupo Esfera Brasil, em São Paulo.

Assim como Milei fez no país vizinho, a equipe de Flávio prepara um “revogaço” de atos administrativos considerados obstáculos à atividade econômica. Segundo Daniella, mais de mil normas infralegais, que são as regras editadas por órgãos do governo sem passar pelo Congresso, já foram mapeadas para eventual revogação.

Dois homens de terno erguem as mãos dadas em cima de um palco, diante de plateia
Flávio Bolsonaro (PL) ao lado do presidente argentino Javier Milei, apontado por sua campanha como referência econômica — Beto Barata/PL

A campanha também pretende reverter aumentos ou criações de tributos atribuídos ao governo Lula, devolver a alíquota do IOF, o imposto sobre operações financeiras, ao patamar de 2022, e acabar com o imposto de exportação do petróleo.

Os resultados argentinos são apresentados pela campanha como demonstração do que essa agenda pode alcançar, mas o quadro também reúne efeitos adversos. A inflação perdeu força e a taxa de pobreza caiu de 42% para 32%, enquanto a economia ficou estagnada, o desemprego aumentou e a indústria local passou a enfrentar pressão maior dos produtos importados.

No Brasil, Daniella defende um ajuste fiscal como caminho para reduzir juros e recuperar a capacidade de investimento, com cortes na máquina pública e em benefícios tributários.

A inspiração em Milei aparece ainda na retomada de privatizações. A campanha pretende continuar a agenda iniciada no governo Jair Bolsonaro e avalia que mais de 20 empresas estatais poderiam passar por esse processo. Os Correios estão entre as companhias mencionadas, e uma eventual privatização do Banco do Brasil não foi descartada.