O governo de Javier Milei, na Argentina, virou uma das principais referências econômicas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Quem diz é a coordenadora econômica do candidato, Daniella Marques. “Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos”, declarou a ex-presidente da Caixa em evento do grupo Esfera Brasil, em São Paulo.
Assim como Milei fez no país vizinho, a equipe de Flávio prepara um “revogaço” de atos administrativos considerados obstáculos à atividade econômica. Segundo Daniella, mais de mil normas infralegais, que são as regras editadas por órgãos do governo sem passar pelo Congresso, já foram mapeadas para eventual revogação.

A campanha também pretende reverter aumentos ou criações de tributos atribuídos ao governo Lula, devolver a alíquota do IOF, o imposto sobre operações financeiras, ao patamar de 2022, e acabar com o imposto de exportação do petróleo.
Os resultados argentinos são apresentados pela campanha como demonstração do que essa agenda pode alcançar, mas o quadro também reúne efeitos adversos. A inflação perdeu força e a taxa de pobreza caiu de 42% para 32%, enquanto a economia ficou estagnada, o desemprego aumentou e a indústria local passou a enfrentar pressão maior dos produtos importados.
No Brasil, Daniella defende um ajuste fiscal como caminho para reduzir juros e recuperar a capacidade de investimento, com cortes na máquina pública e em benefícios tributários.
A inspiração em Milei aparece ainda na retomada de privatizações. A campanha pretende continuar a agenda iniciada no governo Jair Bolsonaro e avalia que mais de 20 empresas estatais poderiam passar por esse processo. Os Correios estão entre as companhias mencionadas, e uma eventual privatização do Banco do Brasil não foi descartada.