O encontro entre Vorcaro e Gilmar Mendes aconteceu em 11 de abril de 2024. Daniel Vorcaro, que então presidia o Banco Master, foi ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) falar de uma briga judicial de bilhões: as indenizações cobradas por usinas de açúcar e álcool. O banco tinha em carteira precatórios dessas empresas e ganharia diretamente com decisões favoráveis a elas.
Nesses processos, as usinas pedem para ser compensadas pelo tabelamento de preços que o governo impôs ao setor nos anos 1980 e 1990. Elas defendem que os valores sigam um estudo da Fundação Getulio Vargas, enquanto a União quer que cada empresa comprove individualmente o prejuízo. A conta, pelos cálculos da AGU, a Advocacia-Geral da União, pode bater em R$ 145 bilhões.

Quem ajudou a marcar a reunião foi o empresário Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Gilmar, contratado pelo Master por R$ 500 mil por mês. Mensagens trocadas entre os dois mostram que Feitosa aconselhou Vorcaro a construir uma relação direta com o ministro. O encontro aconteceu no gabinete de Gilmar, em Brasília, e teve a presença de advogados do banco.
O caso que interessava diretamente a Vorcaro envolvia a Destilaria Alcídia S/A. Ele sustentava que a ação já tinha transitado em julgado e não podia ser revista. No julgamento, a destilaria ganhou a causa. Gilmar, porém, foi contra o pagamento do precatório, e só André Mendonça votou com ele. Venceu a posição defendida por Edson Fachin, com o apoio de Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
Em nota, o gabinete de Gilmar disse que a audiência aconteceu “em ambiente institucional” e que receber advogados é uma prerrogativa legal. A nota diz ainda que o ministro desconhecia a negociação entre Vorcaro e Chiquinho Feitosa e lembra que, nesse e em outros casos das usinas, os votos de Gilmar contrariaram os interesses do Banco Master.