O senador Styvenson Valentim (Podemos), que é candidato a mais um mandato no Senado, disse na quinta-feira 17 que não volta atrás nas críticas que fez nesta semana ao deputado estadual Luiz Eduardo (PL). Luiz Eduardo teve a residência vasculhada numa operação da Polícia Federal, e os agentes encontraram ali R$ 1,51 milhão em dinheiro vivo. Em agenda de campanha em Mossoró, na região Oeste do Estado, Styvenson negou ter mudado de postura depois de descobrir que o dono do dinheiro era um aliado político.
“Eu não tenho aliado errado, não. Se está errado, está errado”, disse o senador, para quem Luiz Eduardo precisa explicar por que guardava a quantia em casa. “O caba com um milhão e meio dentro de casa tem que se explicar. Quer dizer que rende mais dentro de casa do que no banco?”, perguntou.

A fala veio três dias depois da Operação Sem Lastro, deflagrada pela Polícia Federal no começo da semana. A ação da PF investiga indícios de falsidade ideológica eleitoral e o possível uso de dinheiro não declarado na campanha de Luiz Eduardo, que tenta a reeleição. Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Natal. Além de mais de R$ 1,5 milhão em espécie, a PF recolheu celulares, papéis e aparelhos eletrônicos do investigado.
Na manhã da operação, quando ainda não se sabia que o dinheiro estava na casa de um deputado de partido aliado, Styvenson chamou o dono do dinheiro de bandido num vídeo publicado nas redes sociais. Ligou o valor a caixa dois e compra de votos e, sem saber de quem se tratava, xingou o responsável de “bandido”, “safado”, “ladrão” e “vagabundo”. “Espalha o vídeo que eu estou doido para saber de quem foi esse safado aí, esse bandido que está comprando voto”, disse na ocasião.
Na mesma gravação, feita e publicada no Instagram, o senador sugeriu que o dinheiro serviria para interferir na eleição. “Pega lá a pacoteira de um milhão e meio para comprar voto. Desse jeito fica fácil ser eleito”, afirmou. As suspeitas levantadas por ele seguem sob investigação e não foram confirmadas pela Polícia Federal. Até agora, não há indiciamento, denúncia do Ministério Público nem decisão da Justiça que reconheça caixa dois ou compra de votos por parte de Luiz Eduardo.
Assim que veio a público que o alvo da operação era Luiz Eduardo, Styvenson parou de falar sobre o caso e ficou em silêncio por alguns dias.
Questionado sobre esse silêncio, o senador disse que não tem compromisso com irregularidade e que trataria do mesmo jeito qualquer pessoa do seu grupo político. Para ilustrar o que dizia, apontou dois nomes do PL que o acompanhavam naquele momento: Álvaro Dias, que disputa o Governo do Estado, e Cabo Deyvison, candidato a uma vaga de deputado federal.
“Eu não tenho compromisso com mentira, não, irmão. Eu não tenho compromisso com coisa errada, não. Pode ser Álvaro, do meu lado. Pode ser o meu amigo aqui”, disse. E completou: “Não retiro nada. Ele que prove agora. Simples assim”.
Nas redes sociais, Luiz Eduardo sustenta que os R$ 1,51 milhão saíram da previdência privada num único saque, feito em 8 de julho, e que o dinheiro ficou intocado na casa dele por 68 dias, até a chegada da PF. “Um saque único, não foi saque fatiado tentando ludibriar, enganar o Banco Central e o Coaf, não. Foi um saque único e estava aqui na minha casa intacto o dinheiro, guardado na minha casa”, afirmou.
O deputado argumentou que nenhuma lei proíbe alguém de guardar dinheiro em casa e negou que o valor tivesse finalidade eleitoral. Para a defesa, os recursos são “lícitos, declarados e de origem plenamente comprovada”, e a documentação será entregue às autoridades. O parlamentar, no entanto, não explicou em público por que tirou o dinheiro do sistema financeiro nem o que pretendia fazer com ele, e especialistas ouvidos pelo Agora RN apontam que a omissão de patrimônio pode configurar crime eleitoral.
Apesar da troca de farpas, os dois estão do mesmo lado na eleição de 2026. PL e Podemos compõem a coligação Endireita RN, que sustenta a candidatura de Álvaro Dias ao Governo e as de Styvenson Valentim e Coronel Hélio (PL) ao Senado.