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Eleições 2026

Zenaide diz que rompeu com o PT porque Fátima a deixou fora da chapa ainda em dezembro de 2022

Senadora conta que a governadora já tinha fechado um grupo com ela própria e outro nome para o Senado, mas segue votando em Lula e nega oportunismo
Agora RN
18/09/2026 | 14:05

A senadora Zenaide Maia (PSD), que disputa a reeleição ao Senado, afirmou na sexta-feira 18 que ficou de fora do projeto do PT para as eleições de 2026. Segundo ela, foi essa exclusão que separou os dois grupos políticos, o dela e o da governadora Fátima Bezerra.

Segundo Zenaide, desde dezembro de 2022 Fátima já tinha desenhado uma composição com ela própria candidata ao Senado, outro nome para a segunda vaga e um candidato petista ao Governo do Rio Grande do Norte. Não havia lugar para a senadora na chapa.

Senadora de óculos e blazer branco gesticula ao falar em comissão
Senadora Zenaide Maia (PSD) diz que ficou fora do projeto do PT ainda em dezembro de 2022 — Saulo Cruz/Agência Senado

“Em 2022, tive um encontro com Fátima e ela disse claramente que tinha o projeto político dela, que seria ela senadora, mais outro senador e o candidato ao governo”, contou Zenaide, que situa a conversa em 13 de dezembro daquele ano.

Diante do arranjo apresentado pela governadora, a senadora diz ter decidido seguir o próprio caminho rumo à reeleição, sem depender do apoio do grupo petista. “Então, o que é que eu fiz? Continuei o meu trabalho no Rio Grande do Norte. Essa era a minha função”, disse a parlamentar. Foi esse trabalho, segundo ela, que levou o mandato aos 167 municípios potiguares por meio de emendas e projetos.

A versão apresentada agora por Zenaide contradiz o que lideranças do PT diziam em público até pouco tempo atrás. Nos meses anteriores às convenções partidárias, que oficializaram as candidaturas, petistas afirmavam em público esperar que a senadora continuasse aliada do grupo. Quando a aliança não saiu, atribuíram a ela a decisão de ficar de fora.

O rompimento acabou se confirmando na prática, e hoje Fátima e Zenaide estão em palanques opostos na eleição para o Governo do Estado. A senadora está hoje no grupo de Allyson Bezerra (União), ex-prefeito de Mossoró e candidato ao Governo, e divide a chapa ao Senado com Tércio Tinoco (União). Fátima, que não conseguiu viabilizar a própria candidatura, lançou Cadu de Lula (PT) para sucedê-la e apoia Samanda de Lula (PT) e Rafael Motta (PDT) ao Senado.

Perguntada se o afastamento se deu porque uma dobradinha com Fátima, também candidata ao Senado naquele desenho inicial, poderia tirar votos dela, Zenaide repetiu que a governadora já tinha um grupo fechado, do qual ela não fazia parte. “Ela era candidata e tinha um grupo de candidatos. Não era só ela, já era apresentado ela e o grupo”, disse.

A senadora também explicou por que guardou para si, durante quase quatro anos, o conteúdo daquela conversa com a governadora. Na avaliação dela, a escolha era de Fátima, e não havia o que fazer para mudá-la. “E, se você me perguntar por que não disse, porque eu fui seguir em frente. Era uma opção e eu ia mudar o quê nisso? Então, fui continuar com o meu trabalho”, afirmou.

Se no RN a relação acabou, em Brasília Zenaide segue ao lado do PT e do governo federal. Ela é vice-líder do governo no Senado e diz que vai votar em Lula para presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. “Desde o início, eu tinha falado para o presidente da República que o meu candidato era Lula”, afirmou. Diante de uma nova pergunta sobre o voto para presidente, reforçou: “Confirmando que eu apoio Lula, sim”.

A senadora rejeitou com ênfase a acusação de oportunismo por estar num palanque de oposição ao PT no Estado e, ao mesmo tempo, continuar na base do governo federal. “Não é oportunismo, porque quem conhece o Senado sabe que não é oportunismo”, disse. Ela acrescentou que recebeu o convite para ajudar o governo Lula e que a posição dela em Brasília é a mesma desde o começo do mandato.

“Sou da base de Lula e voto em Lula. Nunca neguei isso e não é oportunismo, porque eu nunca mudei isso aí”, afirmou. Entre as propostas do governo federal que ajudou a aprovar, lembrou três: o piso nacional da enfermagem, o novo Mais Médicos e a lei que garante a homens e mulheres o mesmo salário quando exercem a mesma função.

A candidata disse ainda que seguirá apoiando o que considerar bom para a população, seja de que partido for a iniciativa. “Eu jamais deixaria de apoiar projetos importantes para as pessoas porque era de A, B ou C”, afirmou. Sobre um eventual governo sem Lula, preferiu não antecipar se seria oposição ou situação e disse que avaliaria cada proposta separadamente. Na corrida ao Senado, a soma dos votos da última pesquisa Exatus coloca Zenaide em segundo lugar.