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Eleições 2026

Lula cobra punição e tenta se afastar da crise no STF, enquanto Flávio liga o petista a Moraes

Caiado fala em "degradação moral", Zema faz ato na Esplanada, Renan Santos come pizza ao vivo e Augusto Cury pede que o Supremo não adie o julgamento
Agora RN
16/09/2026 | 17:38

A crise no STF virou tema de campanha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, tentou manter distância do problema nesta terça-feira 15, dia em que o Supremo Tribunal Federal fez uma sessão inédita para decidir se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, em meio aos desdobramentos do escândalo do Banco Master. O senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na corrida presidencial, fez o contrário e buscou colar o desgaste da Corte no governo.

Em entrevista concedida à TV Record, Lula pediu que os fatos sejam investigados com rigor e disse que os ministros da mais alta instância do Judiciário precisam dar explicações à sociedade. “Quem fez tem que ser punido, julgado”, afirmou. Para o presidente, “não há como o povo brasileiro ficar vendo uma Suprema Corte perder credibilidade na sociedade”.

Homem idoso de terno azul e barba branca gesticula diante de microfones de emissora
Lula durante entrevista à Record, em que tentou se distanciar da crise no Supremo — Ricardo Stuckert/PR

“A instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo. Então que se apure com todo o rigor, abra-se o sigilo de telefone de todo mundo”, completou.

Sem atacar Moraes diretamente, Lula criticou a forma como o ministro André Mendonça, que chegou ao STF por escolha de Jair Bolsonaro (PL) quando este era presidente, conduz as investigações, e o acusou de vazar informações de maneira seletiva.

“Aquilo que o André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltando o que interessava a ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade saber quem tava metido nisso. [Saber] por que o [Dias] Toffoli não votou, por que que o Kassio [Nunes Marques] não votou, quem participou dessa trama do Vorcaro”, disse o presidente.

Aliados de Lula esperavam dele uma posição mais dura sobre a crise, mas sem colocar Moraes na mira. Parte do entorno do presidente ainda defende o ministro pelo papel que ele teve nos episódios ligados aos ataques de 8 de Janeiro, quando as sedes dos três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília. Outros auxiliares, porém, acham que Lula precisa diminuir o efeito político do caso sobre a campanha.

Em conversas reservadas, pessoas próximas ao presidente se disseram insatisfeitas com a sessão do STF. Para esses interlocutores, os ministros pareciam mais preocupados em proteger os próprios cargos do que a imagem da instituição.

O advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, disse que o trabalho de Moraes em defesa da democracia não o livra de ter de dar explicações. “Reconheço o papel do ministro Alexandre de Moraes no cumprimento da obrigação constitucional da defesa da democracia. Mas isso não é um salvo-conduto”, afirmou.

Os aliados do presidente também reclamaram, reservadamente, da dificuldade de mostrar ao eleitor que Moraes foi indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer, e não por Lula. O incômodo cresceu com a estratégia de Flávio Bolsonaro de usar a crise a seu favor na eleição.

No programa eleitoral da televisão, que também circulou nas redes sociais, Flávio anunciou que suspendeu a agenda de campanha “diante da gravidade de tudo o que está acontecendo”. A peça tratou Lula e Moraes como parte de um mesmo sistema político.

“O atual governo criou um desequilíbrio institucional, decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal que descumpriu a lei. Não é à toa que isso tudo está acontecendo, é porque o atual governo faz parte desse sistema que está apodrecido”, disse o candidato do PL.

Na mesma peça, o senador foi além: “O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes, e no fim o Brasil ficou sem presidente nenhum. Sem comando”.

O próprio candidato do PL, no entanto, é citado nas investigações sobre o Banco Master. De acordo com uma mensagem achada pela Polícia Federal num celular, ele pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para terminar “Dark Horse”, filme feito sobre Jair Bolsonaro.

Outros candidatos também reagiram. Ronaldo Caiado, do PSD, chamou a situação de “degradação moral completa” e criticou o Supremo por adiar a análise do mérito das acusações. Além de defender que Moraes seja investigado, ele cobrou o Congresso Nacional.

“A Câmara e o Senado se calam diante de uma situação como essa, é um momento em que você vê a irresponsabilidade e a imoralidade alcançando a vida política e jurídica, e levando à deterioração da democracia brasileira”, disse Caiado, em agenda em Aparecida de Goiânia, em Goiás.

O candidato do Novo, Romeu Zema, reuniu apoiadores na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, num protesto contra o STF e Moraes, e defendeu que sejam abertos processos de impeachment contra ministros da Corte.

“Nós vamos ter um inquérito aberto contra um ministro do Supremo. Espero que seja apenas o primeiro, porque sabemos que tem mais frutas podres. E espero que um queira investigar o outro, estamos vendo que a podridão está aflorando”, afirmou Zema.

Renan Santos, do Missão, respondeu ao resultado da sessão com uma live em que aparecia comendo pizza, numa referência ao pedido de vista, mais tempo para analisar o caso, feito pelo ministro Flávio Dino. Ele também atacou Kassio Nunes Marques, que saiu da sessão ao se declarar impedido.

Segundo Renan, Nunes Marques é “fruto da fraqueza de Jair Bolsonaro”, que não teria escolhido um nome “forte e independente” para enfrentar Moraes. “Não está tendo debate presidencial, porque esse foi o debate presidencial”, disse. “Flávio e Lula não estão indo aos debates porque os representantes deles estavam fazendo um debate”, completou.

O candidato do Avante, Augusto Cury, conversou com eleitores na Avenida Paulista, em São Paulo, e em seguida pediu rapidez, transparência e discrição aos ministros do Supremo. “Não adiem esse julgamento, porque se vocês o fizerem, vocês não vão dar condições para os eleitores analisarem em quem vão votar no dia 4 de outubro”, afirmou.