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Saúde auditiva

Som de festival passa de 100 decibéis, e o ouvido tem 15 minutos de exposição segura sem proteção

OMS estima 1,1 bilhão de jovens em risco de perder audição; protetor auricular, distância das caixas e pausa a cada hora reduzem o dano no Rock in Rio
Agora RN
11/09/2026 | 20:19

Quem está no Rock in Rio desde a sexta-feira 4, quando o festival começou na cidade do Rio de Janeiro, encara uma maratona capaz de somar muitas horas de música em frente aos palcos. E há uma parte do corpo que começa a cobrar cuidado bem antes do fim da programação: o ouvido. A conta aperta quando os sistemas de som atingem algo entre 100 e 120 decibéis, a unidade que mede a intensidade do som.

O tempo que se pode passar exposto encurta à medida que o volume sobe. A referência das diretrizes internacionais de saúde é de no máximo oito horas seguidas a 85 decibéis. Nos 100 dB, esse limite despenca para uns 15 minutos sem nenhuma proteção — e, dali para cima, o intervalo considerado seguro fica menor ainda.

Público de mãos erguidas em frente ao palco durante show noturno em arena coberta
Público em festival de música em Natal, em imagem de arquivo — José Aldenir

Quem mais preocupa são os jovens, presença certa em shows e festivais. A Organização Mundial da Saúde (OMS), agência de saúde das Nações Unidas, calcula em mais de 1,1 bilhão o número de pessoas de 12 a 35 anos sob risco de perder audição por hábitos de escuta inseguros — tanto o uso incorreto de aparelhos pessoais quanto horas seguidas de música em alta intensidade.

Mesmo assim, perder audição segue no imaginário como problema de quem envelheceu. Um estudo da GAES sobre a saúde auditiva da juventude achou 60% de entrevistados sem nenhuma preocupação com o próprio ouvido, e parte dessa despreocupação vem justamente de enxergar a surdez como assunto da terceira idade.

Que o som passou do ponto, o corpo costuma avisar assim que o show termina. Ouvido tapado, dificuldade momentânea para escutar e zumbido — o apito ou chiado que a pessoa ouve sem que haja som nenhum por perto — são os indícios mais comuns de superexposição.

O fato de tudo isso passar depois de um tempo não autoriza a ignorar o aviso quando ele se repete. O estrago se acumula: cada exposição nova soma risco às anteriores, e o efeito aparece somado lá na frente.

Se o zumbido insistir, se a sensação de ouvido cheio não passar ou se a audição parecer diferente dias depois do festival, o caminho é procurar avaliação profissional — e não tratar o incômodo como preço natural de quem passou horas em frente a um palco.

Há como reduzir a exposição sem abrir mão de show nenhum. O primeiro recurso é o protetor auricular desenvolvido para ambiente musical, que baixa a intensidade do som que chega ao ouvido sem transformar a música num ruído abafado.

Onde a pessoa fica também muda a conta. Colar-se às caixas e às colunas de som, de frente ou de lado, é a pior escolha possível; alguns metros de distância já reduzem o que chega ao sistema auditivo.

Festival longo pede intervalo para o ouvido, e não apenas para as pernas e para o estômago. A orientação é reservar de 10 a 15 minutos em algum ponto mais silencioso a cada hora de exposição contínua, seja nas áreas de descanso, seja nos espaços mais afastados dos palcos.

O cuidado, aliás, cabe antes de o primeiro show começar e depois de o último acabar. Segurar o uso do fone de ouvido nesses períodos evita empilhar mais estímulo sonoro sobre um dia que já foi barulhento.

Para o fone existe uma regra de bolso, a 60/60: volume abaixo de 60% do que o aparelho pode dar e, no máximo, 60 minutos de uso por dia.

Fecha a lista prestar atenção no que o próprio ouvido informa. Zumbido que não vai embora, sensação de ouvido entupido e a impressão de que a audição mudou depois do festival não são parte inevitável da experiência.

Num evento do tamanho do Rock in Rio, dá para atravessar o dia circulando de palco em palco. Pausa, distância das caixas e proteção adequada são o que permite levar o cuidado com a audição junto com a maratona — e continuar ouvindo bem quando a música acabar.