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Saúde

Samu de Natal volta a usar motolâncias depois de 12 anos e mira acidente e parada cardíaca

Serão três motos até o Carnaval de 2027 e quatro até o fim do ano que vem, tripuladas por 16 técnicos de enfermagem em treinamento
Agora RN
10/09/2026 | 15:24

Depois de 12 anos de interrupção, o Samu de Natal voltou a acionar as motolâncias no atendimento de urgência. A ideia por trás delas é simples, e o que está em jogo são minutos: colocar o profissional de saúde diante do paciente antes que a ambulância consiga chegar. As motocicletas entram para antecipar a chegada do profissional àquelas ocorrências em que o relógio decide o desfecho do socorro — acidente de trânsito e parada cardiorrespiratória, sobretudo. A previsão da coordenação é ter três unidades rodando já no Carnaval de 2027 e chegar a quatro até dezembro do ano que vem.

Para retomar o serviço, o Samu está capacitando profissionais que ingressaram de duas maneiras — pelo concurso público e pela seleção simplificada que a Prefeitura promoveu. A estrutura desenhada para as quatro motos prevê 16 técnicos de enfermagem. Eles estão em treinamento duplo: para pilotar o veículo e para prestar o primeiro atendimento.

Duas motolâncias do Samu estacionadas com mochilas de atendimento
Serviço de motolâncias será direcionado principalmente a acidentes de trânsito e paradas cardiorrespiratórias — Foto: Reprodução

Luiz Roberto Fonseca, que assumiu há pouco a coordenação-geral do Samu Natal, diz que a volta das motolâncias era uma demanda antiga de quem dirige o serviço. Nos anos em que o serviço ficou suspenso, o atendimento na capital se concentrou inteiramente nas ambulâncias de suporte básico e de suporte avançado. “Nós tínhamos as ambulâncias de suporte básico e as ambulâncias de suporte avançada no Samu de Natal. Agora a gente retoma esse serviço, que era um desejo que tínhamos enquanto coordenação”, afirmou.

Ele atribui essa volta ao respaldo que veio tanto da Secretaria Municipal de Saúde quanto da Prefeitura. A proposta, conta, foi acolhida pelo titular da pasta, Geraldo Pinho, e também pelo prefeito Paulinho Freire. Foi a realização do processo seletivo simplificado que permitiu incorporar os profissionais hoje em preparação para atuar sobre as motos.

A história do serviço na capital começa em 2007, inspirada num projeto que o Corpo de Bombeiros de São Paulo havia posto de pé no ano anterior. A experiência desenvolvida aqui virou, por um tempo, referência nacional para o Ministério da Saúde — até deixar de funcionar.

Vale uma distinção que o próprio coordenador faz questão de marcar: a motocicleta não substitui a ambulância. A função dela é outra: permitir que o profissional de saúde chegue mais rápido ao local da ocorrência, comece os primeiros procedimentos e segure o atendimento até que apareça a equipe de suporte necessária. A vantagem cresce nos períodos de trânsito intenso, hora em que uma ambulância pode não vencer as vias da capital dentro do tempo que determinadas emergências exigem.

Na descrição de Luiz Roberto Leite Fonseca, a atuação vai se concentrar, num primeiro momento, em dois tipos de chamado. O primeiro deles é o trauma que decorre de acidente automobilístico. “Ele vai atuar basicamente em duas situações, que é o trauma do acidente automobilístico, ele vai atender as pessoas vítimas de atropelamento ou de acidente automobilístico nas vias, dando uma ênfase em especial ao motociclista”, explicou.

A segunda prioridade da motolância é a parada cardiorrespiratória. Nesses casos, a proposta é fazer um profissional alcançar o paciente depressa e iniciar as manobras de reanimação enquanto a ambulância ainda está a caminho. O coordenador observa que, nos horários de maior movimento, a ambulância pode não conseguir chegar dentro do intervalo de cinco a dez minutos. A moto, que avança com mais facilidade entre os carros, encurta esse tempo.

“Nisso, o motociclista ganha uma relevância importante, porque ele consegue um deslocamento chegando até a casa da pessoa a tempo da reanimação cardiorrespiratória, que a gente chama às vezes de massagem cardíaca, ser instituída de forma viável. Porque depois de 5 a 10 minutos não tem mais viabilidade nenhuma”, disse.

A intenção é que quem chega montado na moto já comece procedimentos como a compressão torácica, sem esperar a equipe de suporte aparecer no local. “Você pode fazer a compressão torácica externa e o paciente não vai voltar”, afirmou Fonseca ao explicar o que a demora no início da reanimação provoca.

Com o serviço de volta, o coordenador-geral aproveitou para fazer um apelo a quem dirige na cidade: abram passagem quando o veículo de emergência estiver a caminho. A orientação prática é esta — se a ambulância ou a motolância se posicionar no centro da pista pedindo passagem, os demais carros devem abrir lateralmente. Se o veículo de emergência vier pela esquerda, os outros condutores devem ir para a direita, quando houver condição de segurança para isso. “Se ele posicionar no meio da pista, os carros devem abrir lateralmente. Se ele se posiciona à esquerda, todos devem passar para a direita”, orientou.

E fez questão de lembrar por que essa fração de tempo importa tanto. “Nesse momento eu clamo pela humanidade de vocês, porque ou há uma vida dentro da ambulância dependendo dela chegar rápido ao hospital ou à UPA, ou há alguém em casa ou na rua dependendo do deslocamento dessa ambulância”, afirmou.