Candidata ao Governo do Rio Grande do Norte pelo partido Unidade Popular, a sem-teto Arinalda do MLB defende a transformação de prédios públicos desocupados em moradias populares. Diarista e integrante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), ela afirma que o Estado dispõe de imóveis sem utilização que poderiam ser destinados às famílias de baixa renda.
“Se, de fato, o governo quisesse fazer, ele poderia, sim. Teria condições de fazer moradia para a população mais carente, para a população que realmente precisa”, afirmou. A candidata não detalhou quais prédios poderiam ser convertidos, quantas famílias seriam atendidas nem de onde sairiam os recursos para as reformas.

Arinalda argumentou que o número de imóveis desocupados no Estado contrasta com a quantidade de famílias sem acesso à casa própria. “Existem mais prédios desocupados do que pessoas sem casa. Essa é a pergunta que a gente faz: por que os governantes não olham para o seu povo?”, declarou.
A candidata também defendeu as ocupações organizadas por movimentos de moradia, como o MLB. Segundo ela, a entrada de famílias em terrenos e edifícios abandonados é resultado da falta de alternativas oferecidas pelo poder público e dos custos elevados do aluguel para quem vive com renda baixa.
“Enquanto tiver terreno para ocupar, a gente está ocupando. Enquanto tiver prédios desocupados, estamos ocupando, porque nesses lugares a gente está dando vida”, disse. Para Arinalda, a prioridade deve ser garantir que as famílias tenham um espaço seguro para morar em vez de permanecerem nas ruas ou em habitações precárias.
Coordenadora nacional do MLB, Arinalda afirmou que a atuação do movimento busca organizar famílias sem teto e pressionar o poder público pela execução de políticas habitacionais. Ela classificou a moradia como um direito previsto na Constituição e disse que sua efetivação depende de vontade política.
“O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas constrói essa luta diariamente, junto com a Unidade Popular, pela necessidade de a gente ter uma moradia”, afirmou. A candidata apresentou a redução da dependência do aluguel como um dos objetivos centrais da proposta.
Esta é a primeira eleição disputada por Arinalda. Aos 46 anos, ela se apresenta como diarista, mãe, avó, militante da Unidade Popular e moradora de ocupação. Disse que passou a maior parte da vida em comunidades populares de Natal e que conhece diretamente as dificuldades enfrentadas pelas famílias sem casa própria.
“Eu estou falando com você aqui, mas eu não tenho moradia. Eu moro em ocupação e passei a minha vida inteira morando nas grandes comunidades do Rio Grande do Norte, aqui em Natal mesmo”, relatou.
Ela afirmou que foi escolhida pela Unidade Popular para representar segmentos sociais que, segundo sua avaliação, têm pouco espaço na política institucional, especialmente mulheres negras, trabalhadoras domésticas e moradoras de ocupações.
“Na verdade, eu fui escolhida pelo Partido da Unidade Popular, porque eles viram em mim uma expectativa para as mulheres negras, moradoras de ocupação, que trabalham domesticamente”, declarou.