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OPINIÃO

Abelírio Rocha: a voz que qualificou o futuro do Rio Grande do Norte

Industrial e ex-presidente do Sistema FIERN deixa legado de formulação, pioneirismo e defesa do desenvolvimento potiguar
Roberto Serquiz
04/09/2026 | 23:30

O Rio Grande do Norte despediu-se de uma de suas mentes mais brilhantes e inquietas. Abelírio Vasconcelos da Rocha, Bira Rocha, não foi apenas um líder empresarial; foi um homem que habitou o futuro antes de todos nós. Sua partida deixa um silêncio profundo, mas o eco de suas ideias continuará a ressoar nas bases que ele ajudou a construir para o desenvolvimento potiguar.

Bira foi, essencialmente, um homem à frente de seu tempo. Enquanto alguns se perdiam nas urgências do quotidiano, ele pensava e planejava o Estado com uma seriedade científica. Sua paixão pelas causas norte-rio-grandenses não era meramente retórica; era traduzida em estudos, formulações e na busca incessante por potencialidades que, muitas vezes, estavam fora do radar comum. Ele enriquecia o debate, elevando o nível da discussão sobre o nosso destino econômico.

Abelírio Bira Rocha, ex-presidente da FIERN e ex-secretário de Estado
Bira Rocha deixou legado na indústria, na vida pública e na formulação de projetos para o RN — Reprodução

Na iniciativa privada, demonstrou um pioneirismo audaz. Empreendeu com a coragem de quem abre caminhos, mas com a ética de quem jamais separou o sucesso empresarial da defesa do interesse coletivo. Para Abelírio, a indústria só cumpria sua função se fosse capaz de elevar o patamar social de sua gente. Sua trajetória prova que a prosperidade individual ganha sentido pleno quando serve ao fortalecimento da sociedade.

Sua versatilidade era admirável. Encontrou tempo para servir à vida pública como Secretário de Estado, aplicando a eficiência da gestão privada ao bem comum. Dedicou-se com fervor ao ABC Futebol Clube e, no âmbito mais sagrado da vida, foi o pilar de uma família sólida: pai dedicado, esposo presente e um amigo cuja lealdade era inquestionável.

O Sistema FIERN a ele muito deve. Bira Rocha esteve, por décadas, nas trincheiras de luta da indústria potiguar e nacional, ocupando espaços de relevância, inclusive, na CNI e modernizando nossas instituições. Ele nunca parou de estudar; sua curiosidade intelectual era o combustível que o mantinha jovem, formulando alternativas e provocando inquietações com sua voz firme.

Bira Rocha também foi agropecuarista e, nesta condição, foi inovador e realizador. Deixou marcas positivas por onde passou. Outro assunto que não pode faltar diante de Bira é o Polo Gás-Sal. Durante sua presidência na FIERN (1995–2003), ele foi o principal articulador e defensor deste projeto, que visava integrar as duas maiores riquezas minerais do Estado: o gás natural e o sal marinho. Bira Rocha enriquecia o debate ao insistir que o Rio Grande do Norte não poderia ser apenas um “empório comercial” ou um mero exportador de commodities. Ele qualificava a discussão ao trazer dados técnicos que provavam a viabilidade da verticalização da produção.

Bira Rocha nunca parou de formular alternativas. Mesmo fora da presidência da FIERN, ele continuou a ser a voz provocadora que lembrava ao Estado perspectivas para alavancar o Rio Grande do Norte. Há cerca de dois meses, estive com ele em uma conversa rica dessa visão de futuro, quando ele falou sobre um projeto que havia pensado para uma melhor distribuição dos recursos hídricos do nosso estado. Foi o nosso último encontro.

Hoje, mais do que nunca, o Rio Grande do Norte sente a necessidade de líderes com a sua têmpera. Sentiremos falta da sua provocação intelectual e da sua firmeza em defesa do RN. Que seu exemplo de dedicação incansável continue a nos guiar na construção de um Estado tão próspero quanto ele sempre ousou projetar.