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Roberto Serquiz

O 1º de Maio, a Defesa do Trabalho e da Indústria

Confira o artigo de Roberto Serquiz deste sábado 2
Roberto Serquiz
02/05/2026 | 07:58

A data 1º de maio de 2026, Dia do Trabalho, ganha um contorno de urgência que ultrapassa as celebrações protocolares. Para a indústria nacional, e especialmente para o Rio Grande do Norte, esta data deve ser um marco de reflexão sobre a sobrevivência do emprego digno, para os nossos dedicados mais de 132 mil trabalhadores diretos da indústria, frente às ameaças que rondam nossa capacidade produtiva.

A importância da indústria nacional é evidente, mas as ameaças são crescentes e, muitas vezes, estimuladas por uma visão de curto prazo. A chamada “taxa das blusinhas”, por exemplo, que trata da alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, é, de fato, algo justo para preservar cerca de 135 mil empregos e manter R$ 20 bilhões na economia brasileira (dados da CNI – Confederação Nacional da Indústria).

Faturamento da indústria cresce 4,9% em fevereiro, aponta CNI - Foto: José Aldenir/Agora RN
O 1º de Maio, a Defesa do Trabalho e da Indústria - Foto: José Aldenir/Agora RN

Ora, enquanto o produtor brasileiro carrega o peso de uma das maiores cargas tributárias do mundo, plataformas estrangeiras operam com vantagens desleais. No Rio Grande do Norte, o impacto é direto no coração do nosso desenvolvimento regional. O programa Pró-Sertão, que interiorizou a renda e levou dignidade a milhares de famílias, será o primeiro a sofrer com a eventual desmobilização da indústria de confecções de peças do vestuário. É preciso prestigiar quem gera riqueza aqui!

Os empregos gerados nas cidades brasileiras são afetados quando se estimula a compra de peças produzidas fora, em detrimento do que é fabricado em nosso País. A indústria não entrega apenas um produto; ela entrega responsabilidade social, distribuição de renda e compromisso com o futuro. Estimular a importação predatória é, na prática, exportar o sustento do trabalhador norte-rio-grandense.

A solução não passa por medidas paliativas, eleitoreiras, mas por uma reforma do Estado brasileiro que enfrente o custo da produção. O “Custo Brasil” é o verdadeiro vilão. Lamento que, em vez de enfrentarmos as reformas estruturais necessárias, assistamos a medidas eleitoreiras com consequências danosas para a economia. O foco parece estar em 2026, e não na sustentabilidade do setor produtivo que mantém o país em funcionamento.

Nesse contexto, o debate sobre a escala 6×1 surge como mais um exemplo de atropelo. Embora a conciliação entre vida pessoal e trabalho seja um tema legítimo, o Governo Federal deseja impor uma mudança sem o devido debate técnico, movido por uma conveniência eleitoral. Alterar jornadas sem discutir produtividade e custos é um convite à informalidade e ao fechamento de postos de trabalho.

Neste Dia do Trabalho, nosso reconhecimento a todos os trabalhadores que empregam sua força e dedicação à indústria do Rio Grande do Norte. Nos sentimos gratos por contar com vocês e responsáveis, também, pelo cuidado com cada um. Infelizmente, o Dia do Trabalho deste ano carrega para quem fabrica o peso de uma escolha dramática: ou protegemos aos trabalhadores que produzem em solo potiguar, ou corremos o risco de assistir ao esvaziamento irreversível das nossas fábricas, sobretudo, no interior. Não existe dignidade no trabalho sem a existência real do posto de trabalho.

A celebração torna-se um paradoxo amargo quando o próprio Estado, movido por conveniências eleitorais, fragiliza os pilares da produção. O 1º de maio deve ser, também, o marco da resistência industrial, pois sem o fortalecimento de quem fabrica, não haverá futuro para quem trabalha.