O deputado federal Benes Leocádio (União Brasil-RN) destinou cerca de R$ 76,8 milhões à saúde pública entre 2023 e 2026, de acordo com levantamento orçamentário da reportagem, concluído em 4 de setembro de 2026. O valor equivale a 52% dos R$ 147,45 milhões autorizados a ele em emendas individuais no período — ou seja, mais da metade de tudo o que o parlamentar pôde indicar no Orçamento da União tomou o caminho da saúde.
Emendas parlamentares são a fatia do Orçamento que cada deputado tem o direito de direcionar. Na saúde, o dinheiro não vai direto ao caixa de quem indica: ele circula por canais como o Fundo Nacional de Saúde, estrutura do Ministério da Saúde responsável por repassar recursos do SUS, e chega a fundos públicos de saúde e a hospitais universitários federais, que são quem de fato executa o gasto.

O levantamento identifica o montante e os canais de repasse, mas não permite discriminar, um a um, quais municípios, órgãos ou unidades de saúde receberam cada parcela dos R$ 76,8 milhões, nem quanto de cada emenda desembocou fora dos limites do estado. Por isso, o alcance geográfico exato dos recursos permanece em aberto.
Do total geral do deputado no período, R$ 142,57 milhões foram empenhados e R$ 129,71 milhões, pagos. Empenhar é o compromisso formal do governo de reservar o dinheiro para uma finalidade; pagar é a transferência efetiva do valor a quem vai aplicá-lo.
Cabe a ressalva: o pagamento, sozinho, não prova que a obra saiu do papel, que o equipamento foi entregue ou que o serviço chegou à população. Isso depende da prestação de contas e da fiscalização que vêm depois.
O parlamentar tem colocado o município no centro do debate sobre saúde. Em entrevista à Rádio Câmara publicada em 25 de fevereiro de 2026 — na qual discutia o financiamento das prefeituras, e não suas próprias emendas —, Benes Leocádio afirmou que a gestão municipal “é quem tem que ter a unidade básica de saúde funcionando, com medicamento, com médico, com cirurgião dentista, com todos os profissionais e principalmente a assistência naquilo que está na sua competência”.
Na mesma entrevista, ele defendeu diálogo aberto entre o Parlamento, o Executivo federal, os estados e os municípios, argumentando que decisões tomadas sem essa costura acabam recaindo sobre a prefeitura, o ente mais próximo do cidadão, e podem deixar a população desassistida. O deputado citou o piso da enfermagem como exemplo de despesa em que a União passou a complementar parte dos valores.
É esse o pano de fundo da destinação apontada pelo levantamento: um mandato que concentrou na saúde mais da metade do dinheiro que teve para indicar, num período em que o financiamento da ponta do atendimento — a unidade básica, o hospital de pequeno porte, a equipe que atende — segue disputado entre União, estados e municípios.