O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência disse temer que o candidato seja preso durante as manifestações do 7 de Setembro. A declaração é do senador Rogério Marinho (PL-RN) e foi dada nesta sexta-feira 4, a três dias das mobilizações marcadas para o feriado da Independência.
“Eu estou preocupado se vai haver eleição. Eu estou preocupado se vão prender Flávio Bolsonaro no dia 7. Eu estou preocupado se, da maneira como as coisas estão se dando, se eles vão golpear o processo eleitoral”, afirmou o parlamentar.

Para o senador, decisões do Judiciário estariam mexendo na disputa presidencial justamente no momento em que Flávio encurta a distância para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas.
“O que está acontecendo claramente é interferência na vontade da população brasileira. Na hora em que a curva se inverte e o Bolsonaro passa na frente de Lula, a gente está vendo esse tipo de situação. E ameaças veladas”, disse.
“República de fato ou ditadura travestida”
Rogério classificou o momento do Supremo Tribunal Federal como uma “crise existencial e civilizatória”. Na avaliação dele, a concentração de poder no Judiciário corrói a separação entre as instituições.
“O Brasil vai decidir se nós somos uma República de fato ou somos uma ditadura travestida. Não é possível que nós tenhamos no nosso país pessoas que, por ocuparem cargos relevantes e importantes, se julguem acima da lei”, declarou.
As falas vêm depois da divulgação de informações sobre contatos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes. O senador defendeu que o material seja investigado e apontou suspeitas de advocacia administrativa, tráfico de influência e troca de vantagens.
A leitura sobre o pedido de Moraes
Ele também atacou a iniciativa de Moraes de pedir a investigação do ministro André Mendonça dentro do inquérito das fake news — movimento que veio depois de Mendonça retirar o sigilo das mensagens trocadas por Vorcaro.
Na leitura de Rogério, a medida serviria para levantar dúvidas sobre como as provas foram obtidas e abrir caminho para anular as investigações. “Está com cara de se tentar abafar o processo”, afirmou. A estratégia, na avaliação dele, seria “jogar tudo para debaixo do tapete” por meio de um “grande acordão”.
O senador voltou a criticar o próprio inquérito das fake news e a atuação de Moraes nele. “É aquele que se diz vítima, acusa. O próprio juiz que diz: ‘Eu sou vítima de uma acusação’. Ele vai, usa um instrumento que não deveria existir, um instrumento absolutamente ilegal, para acusar o colega”, declarou.
Os pedidos já protocolados
Rogério lembrou que apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma notícia-crime em que pede a prisão e o afastamento de Moraes. E contou ter despachado ofício a Lula, no qual pede a saída de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.
Sobre Andrei, acusou-o de manter proximidade inadequada com o presidente e traçou um paralelo com o episódio em que a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da PF foi barrada, no governo Bolsonaro.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também entrou na mira. Rogério criticou o silêncio dele diante das revelações e defendeu que se afaste da análise do caso: “Deveria o Gonet ter a hombridade de se afastar e pedir para o seu adjunto falar no processo”.
Quanto a Lula, a avaliação do senador é a de que o presidente assiste à crise sem tomar providência nenhuma. “O presidente da República está assistindo isso inerte. Deveria afastar imediatamente o diretor-geral da Polícia Federal”, acrescentou.
Convocação para o Largo do Atheneu
Rogério chamou os apoiadores da oposição para um ato marcado para as 15h de segunda-feira 7, no Largo do Atheneu, em Natal.
“Fora Moraes, fora Lula, fora toda essa sujeira que está aí. Não é possível a gente achar que é normal banalizar essa situação”, declarou, defendendo que a população pressione as instituições, de forma democrática, pela apuração das suspeitas.
A agenda de Flávio no Estado
O senador confirmou ainda que a campanha prepara uma vinda do candidato ao Rio Grande do Norte na segunda-feira, 21 de setembro. A parada aqui integra um roteiro nordestino que deve se estender até os dias 22 ou 23. Fechado esse trecho, as agendas presenciais se concentram no Sudeste, região que reúne cerca de 45% do eleitorado brasileiro.
Antes de Flávio, quem chega é o candidato a vice na chapa, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). A programação abre com bandeiraço às 9h deste domingo 6, em Ponta Negra, na capital, e segue para Extremoz às 15h. Na segunda 7, ele deve estar no ato do Largo do Atheneu, no mesmo horário.
O compromisso em Ponta Negra deve reunir também os candidatos do PL Álvaro Dias, ao Governo do Estado, e Coronel Hélio, ao Senado.