A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), afirmou que a vitória da senadora eleita Samanda Alves (PT) teve um componente de resposta dos eleitores ao que classificou como inviabilização de sua própria candidatura ao Senado. Em entrevista à TV Ponta Negra nesta terça-feira 6, Fátima disse que parte do eleitorado gostaria de votar nela para o cargo.
“Acho que houve esse sentimento, porque o povo acompanhou a trama que urdiram para inviabilizar que eu disponibilizasse meu nome na disputa por uma das vagas ao Senado. O povo acompanhou isso, e o povo é sábio. Acho que a vitória de Samanda teve esse componente, como uma resposta”, declarou.

A governadora também atribuiu a votação de Samanda à trajetória da petista, que, segundo ela, trabalhou ao seu lado por mais de 30 anos. Fátima afirmou que a eleição da aliada representa um ganho para o Rio Grande do Norte e disse que Samanda exercerá o mandato com “dignidade, seriedade e compromisso”.
Questionada se a derrota do candidato a deputado estadual Walter Alves (MDB) também poderia ser interpretada como resposta dos eleitores, Fátima não afirmou diretamente que o resultado tivesse essa motivação. Ela relembrou que foi surpreendida quando o então vice-governador comunicou que não assumiria o Governo do Estado e que passaria a apoiar uma candidatura adversária.
“Na época, fomos surpreendidos. Walter disse que não assumiria o governo e, ao mesmo tempo, passou a apoiar a candidatura adversária. Não esperávamos isso de maneira nenhuma, afinal, éramos aliados”, disse.
Fátima afirmou que considera o episódio “página virada”, mas acrescentou que cabe à população julgá-lo. “O povo é quem vai julgar, e está aí, o povo está fazendo exatamente o seu julgamento”, declarou. Ela também disse que participou intensamente da campanha e que pretende ampliar sua atuação no segundo turno.
Ao comentar o rompimento com Walter, a governadora afirmou que manteve sua atuação política e participou da campanha. “aqueles que pensavam que eu ia ficar de cabeça baixa, que eu ia ficar deprimida, está entendendo, enfim, se enganaram redondamente, nunca baixei a cabeça”, disse Fátima.
Na eleição de domingo 4, Samanda foi eleita senadora. Com 99,36% das urnas apuradas, tinha 633.134 votos, equivalentes a 17,67% dos válidos, segundo o Agora RN. Walter recebeu 44.217 votos para deputado estadual e ficou como primeiro suplente do MDB. A única cadeira conquistada pelo partido ficou com o candidato a deputado estadual Bibiano (MDB), que teve 49.038 votos.
Aliança de 2022 previa sucessão de Fátima por Walter
A aliança entre Fátima e Walter foi articulada para a eleição estadual de 2022, com participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Agora RN noticiou que Lula ajudou a fechar o acordo para Walter ser vice na chapa de Fátima. Durante a campanha, a governadora defendeu a aliança com o MDB como parte de uma frente política mais ampla. A chapa venceu no primeiro turno, com 58,31% dos votos válidos.
O plano do grupo para 2026 era que Fátima deixasse o governo para disputar uma vaga no Senado e Walter assumisse o Executivo até o fim do mandato. Em entrevista ao Agora RN em março de 2025, Walter confirmou que assumiria o cargo, disse que não disputaria a reeleição e apontou o então nome governista para a sucessão, Cadu Xavier (PT).
O entendimento mudou em janeiro de 2026. Após se reunir com Fátima, Walter anunciou que não assumiria o governo, que seria candidato a deputado estadual e que o MDB apoiaria o candidato ao governo Allyson Bezerra (União Brasil). Também declarou apoio à reeleição de Lula.
A decisão desfez o plano de sucessão. Em março, Fátima desistiu de concorrer ao Senado e permaneceu no cargo; o PT manteve Cadu como pré-candidato ao governo e indicou Samanda para a disputa ao Senado. O Agora RN noticiou o anúncio de Walter e a reação do PT.