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Eleições 2026

Fátima promete ampliar votação de Lula: ‘Vamos derrotar a extrema-direita’

Governadora faz convocação após eleger Samanda para o Senado e levar Cadu à segunda etapa da disputa estadual, em fortalecimento do seu grupo
Agora RN
05/10/2026 | 23:38

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), prometeu ampliar a votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado no segundo turno das eleições. Em um discurso para apoiadores no último domingo 4, após o primeiro turno, a petista convocou seus apoiadores a intensificar a mobilização contra o bolsonarismo. “Lula teve agora quase 60% dos votos, mas nós vamos aumentar a votação do Lula aqui no Rio Grande do Norte”, afirmou, durante ato em Ponta Negra. Na sequência, dirigiu uma convocação aos aliados: “Meus companheiros e companheiras, meus amigos e amigas do Rio Grande do Norte, se preparem, porque nós vamos derrotar a extrema-direita! O bolsonarismo não voltará a governar esse país.”

Lula terminou o primeiro turno das eleições presidenciais com 1.237.963 votos no RN, equivalentes a 59,75% dos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 720.493 votos, ou 34,77%, ficando 517.470 votos atrás do petista no Estado. O RN foi um dos 12 estados onde o petista teve maioria de votos.

Fátima Bezerra com Cadu de Lula, Samanda de Lula e Rafael Motta em local de votação
Governadora Fátima Bezerra com Cadu de Lula e Samanda de Lula, e também com o candidato ao Senado Rafael Motta (PDT) — Foto: José Aldenir

A vantagem no RN e restante do Nordeste, porém, não se repetiu no resultado nacional: com 100% das urnas apuradas, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

Vitórias na eleição

A fala de Fátima ocorreu depois de um primeiro turno que trouxe duas vitórias importantes para seu grupo político: a eleição de Samanda de Lula (PT) para o Senado e a classificação de Cadu de Lula (PT) para o segundo turno da eleição para o Governo do Estado, contra Allyson (União). Os resultados mantiveram o PT competitivo na sucessão da governadora e garantiram uma representante do partido no Senado, mesmo em um cenário de desgaste da administração estadual e de perda de antigos aliados.

Na disputa pelo governo, Cadu recebeu 718.300 votos, ou 36,16% dos válidos, e ficou na segunda colocação. Allyson Bezerra (União) terminou à frente, com 733.809 votos e 36,94%. A diferença foi de 15.509 votos, equivalente a 0,78 ponto percentual. Álvaro Dias (PL), que obteve 530.580 votos e 26,71%, ficou fora do segundo turno. Cadu e Allyson voltarão a se enfrentar nas urnas em 25 de outubro.

Ao longo da campanha, Fátima apostou na associação de Cadu ao presidente Lula e na experiência do ex-secretário da Fazenda dentro do governo. Em entrevista à Rádio Universitária, na sexta-feira 2, afirmou que conhecia sua seriedade, capacidade técnica e sensibilidade social. Também demonstrou confiança de que o aliado chegaria ao segundo turno.

No Senado, o resultado teve um significado adicional para a governadora. Samanda conquistou a segunda vaga com 635.924 votos, ou 17,63% dos válidos, superando Zenaide Maia (PSD), que recebeu 630.159 votos (17,47%). A diferença de 5.765 votos deixou a senadora, antiga aliada de Fátima, sem a reeleição. A primeira vaga ficou com Styvenson Valentim (Podemos), reeleito com 1.055.000 votos e 29,25%.

Zenaide disputou a eleição no palanque de Allyson, em oposição ao candidato apoiado pela governadora, depois de romper politicamente com o grupo petista. Durante a campanha, a senadora atribuiu o afastamento à sua exclusão do projeto eleitoral de Fátima. Embora estivesse em uma aliança adversária no RN, manteve o apoio a Lula no plano nacional.

Fátima contestou essa versão na entrevista à Rádio Universitária na sexta-feira 2. Disse que nunca havia comunicado à senadora que o PSD ficaria fora da aliança para 2026 e responsabilizou o partido pela mudança de lado. “A senadora fez uma outra escolha. Ela é quem foi embora”, declarou.

A eleição de Samanda assegurou ao PT uma das cadeiras que Fátima pretendia disputar pessoalmente. O projeto original da governadora era deixar o Executivo para concorrer ao Senado, mas a recusa de Walter Alves (MDB) em assumir o governo e o rompimento do vice com sua base alteraram o planejamento. Fátima permaneceu no cargo e passou a trabalhar pela eleição de seus aliados.

Na sexta-feira, ao explicar por que não levou adiante a candidatura, a governadora afirmou que priorizou seu compromisso com a população. “Diante da trama que eles urdiram para inviabilizar as condições para que eu pudesse deixar o governo e disponibilizar meu nome para o Senado, eu não titubeei”, disse.