Quem lidera as pesquisas apanha primeiro. Allyson Bezerra (União) descobriu isso na noite desta quinta-feira 3, no debate que a TCM promoveu: Álvaro Dias (PL), Cadu de Lula (PT) e Professor Robério Paulino (PSOL) fizeram do ex-prefeito de Mossoró o alvo da noite e o cobraram sobre a Operação Mederi, a demolição do Estádio Nogueirão, o tratamento dado ao funcionalismo municipal e as alianças que ele costurou para esta eleição.
Era o terceiro encontro entre os candidatos ao Governo do Estado nesta campanha. O de estreia coube à Band RN, no dia 9 de agosto. Depois veio o do Grupo Dial Natal — as rádios 98 FM e Jovem Pan Natal —, realizado na última quarta-feira 2.

O golpe mais duro veio do PSOL
Robério foi quem bateu mais forte. Allyson lhe perguntou se manteria o Mossoró Sal & Luz; ele ignorou o tema, puxou a conversa para a Operação Mederi e exigiu explicações sobre a apuração da Polícia Federal que investiga possíveis desvios na compra de medicamentos.
“Este homem é uma fantasia. O problema dele não é o chapéu. O que tem embaixo do chapéu? Uma farsa, uma fantasia, um personagem, um ator”, disparou.
Ele lembrou de um áudio que a PF captou, em que dois empresários dizem que Allyson ficaria com 15% de propina em contratos de medicamentos superfaturados. “O senhor tentou fechar o processo da Polícia Federal e não conseguiu”, acusou. Na réplica, repetiu o apelo para o eleitor pesquisar sobre a operação antes de ir às urnas.
A resposta de Allyson foi a de que já deu explicações demoradas sobre o caso, e que investigação deveria alcançar todo político, sem exceção. “Sobre esse tema, eu já falo há oito meses, sem mesmo ter um fato novo. Então, quem quiser acompanhar, pode ir lá na internet que tem horas de fala sobre isso”, declarou.
Disse ter ido ao estúdio para falar de propostas, e tratou de trazer a conversa de volta ao terreno da cultura. O Mossoró Sal & Luz — festa gospel que nasceu na administração dele — ganharia outras regiões do Estado, com o argumento de valorizar quem faz arte e girar dinheiro na economia local.
Nogueirão e o “trem da alegria”
Álvaro concentrou fogo em outro ponto: o Nogueirão que veio abaixo. O ex-prefeito de Natal chamou a decisão de “desastrosa” e disse que Mossoró ficou sem praça esportiva. Na réplica, sustentou que o corpo técnico do Tribunal de Contas do Estado enxerga R$ 140 milhões de prejuízo no contrato da nova arena.
“Inexplicável um prefeito de uma cidade destruir um estádio de futebol, penalizar os desportistas de uma cidade do porte, do tamanho, da tradição, da história que tem a cidade de Mossoró no esporte”, disse.
Allyson devolveu que um novo complexo esportivo sairá pelas mãos da iniciativa privada, com capacidade para 15 mil pessoas, shopping e centro de convenções. “Sabe quanto a prefeitura vai gastar, candidato? Nada. A prefeitura não vai gastar um real”, afirmou.
O candidato do União Brasil ainda contra-atacou pelo flanco que o adversário vem tentando fechar: os parentes empregados na Assembleia Legislativa. “O trem da alegria. Ele empregou a família dele toda. É um prejuízo de mais de R$ 400 mil por mês”, declarou. Álvaro conseguiu direito de resposta e alegou que a Justiça já encerrou o assunto, ao reconhecer os parentes dele na condição de servidores públicos estáveis.
Os dois voltaram a se cruzar no bloco de segurança. Álvaro acusou o adversário de ter jogado fora uma emenda de mais de R$ 1 milhão que o deputado federal General Girão (PL) mandara para videomonitoramento, e de ter perdido verba indicada pelo senador Styvenson Valentim (Podemos) porque não prestou contas. Allyson negou de pronto: “Além do candidato ser do trem da alegria, é do trem da mentira também. Isso é mentira”.
Cadu cobra pelos servidores
Cadu de Lula puxou a crítica para a relação da gestão de Allyson com o funcionalismo. “O candidato mente em todo o Estado. Ele diz que foi nos 167 municípios, mas só leva mentira”, afirmou.
Para o petista, o adversário conduziu o funcionalismo “no chicote” e não pagou o reajuste do piso dos professores no tempo em que foi prefeito. Em outro trecho, afirmou que a Polícia Federal bateu à porta da Prefeitura de Mossoró e ligou Allyson ao nome de Robinson Faria (PP), ex-governador que busca a reeleição como deputado federal dentro da coligação do candidato do União.
A defesa pelos números da gestão
Ao longo de toda a noite, Allyson procurou responder apresentando resultados da própria administração. Na educação, listou o que Mossoró marcou no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a distribuição de material escolar, de fardamento e de calçado, e os R$ 200 de auxílio pagos a aluno em situação de vulnerabilidade.
“A educação pública transformou a minha vida”, declarou. Prometeu criar o “PIX PAE” em âmbito estadual, ampliar o ensino integral e mandar estudantes da rede pública para intercâmbios internacionais.
Na saúde, cobrou de Álvaro o Hospital Municipal de Natal, inaugurado simbolicamente no fim de 2024 e até hoje sem funcionar por completo. Em contraponto, disse que o Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva, aberto pela gestão dele em Mossoró em janeiro, já passou de 10 mil atendimentos. Álvaro rebateu chamando o equipamento mossoroense de policlínica adaptada, e anunciou que a unidade natalense abre as portas na gestão do prefeito Paulinho Freire (União), assim que terminarem as ampliações.